quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

A Didática e sua Trajetória


1. JUSTIFICATIVA

            Este resumo serviu de base e aprimoramento das necessidades didático-pedagógicas do autor; que vem buscando a formação necessária e o conhecimento técnico profissional para poder lecionar e entender como se desenvolvem os trabalhos pedagógicos voltados para a sociedade onde as escolas são parte do processo de formação do cidadão consciente e livre, (in)formado e capaz, crítico e democrático. “Um país se faz de homens e livros.” (Monteiro Lobato).

2.  DIDÁTICA TECNICISTA

            Em meados do regime ditatorial vivido no Brasil nas décadas de 60, 70 e 80 do século XX, surgiram os primeiros estudos com sinais de contestação da didática predominante nas escolas, ora ligada à igreja e ora voltada aos anseios sociais do regime político, e este, mostrava a sua influência no ensino e na educação daquela época, ainda que disfarçadamente. As abordagens didáticas tradicionais, escolanovistas e tecnicistas não se mostravam contra os ideais político-sociais do regime e não o criticavam, pelo contrário, se convenciam de que a educação não sofria influência política, ao contrário, era politicamente neutra.
            Essas abordagens eram não críticas ou liberais, segundo Pandini (2011), visto que privilegiavam a reprodução do saber e a manutenção da ordem dominante. Essa abordagem que substituiu a tecnicista clássica, veio mostrar que a escola era reprodutora de métodos e conteúdos e tinha um aspecto mais político do que técnico na reprodução de seus saberes. Essas abordagens do processo de ensino e aprendizagem são classificadas por SAVIANI (1984) pela sua criticidade da teoria em relação à sociedade e o grau de percepção da teoria dos determinantes sociais.
            A Didática é de suma importância entre as práticas pedagógicas dos professores e, de acordo com HAYDT (2006) a sua origem se dá desde o aparecimento do ensino e evolui conjuntamente com a sociedade. Não mais se aceitava a didática como uma mera repetição de técnicas. Ela precisa ser dividida entre professor e aluno, em colaboração. Mas, mais do que isto, na nova visão tecnicista a competência era a meta, pois o país se desenvolvia e a economia crescia a passos largos.
            Era a vez da psicologia dar apoio ao processo pedagógico, e daí, seguindo as ideias “behavioristas”, passou-se a usar técnicas associativas de assimilação, e com essas técnicas se prediziam os comportamentos possíveis e os controlavam. Os alunos eram submetidos a repetições nas tarefas até que não sobrassem dúvidas e eram também, separados por séries ou turmas, que mesmo assim, seguiam individualmente conforme o seu nível. Tudo era feito para que o professor não fosse o único agente do processo de ensino e que se remodelasse a instrumentalização dos processos, com maior rigor no planejamento, incluindo itens novos como recursos pedagógicos audiovisuais, livros didáticos com caráter instrumental, e o uso de instrumentos quantitativos nas avaliações de aprendizagem.
            Essas abordagens que se principiavam, tinham os mesmos princípios liberais do escolanovismo, porém, valorizava-se muito a aprendizagem individual e os indivíduos tinham que ser eficientes, senão não atenderiam a demanda do mercado capitalista. Os passos que Libâneo (2009) enumerou desta vertente tecnicista, complementando o pensamento de Lacanallo et al (2007) foram três, a saber: os objetivos e as metas operacionais, a ênfase nos conteúdos, as estratégias e as avaliações das aprendizagens dos alunos em face aos objetivos iniciais. (LIBÂNEO, 2009, apud PANDINI, 2011, p. 39). A didática tecnicista era também pautada em técnicas que aumentassem a produtividade e por isso era elaborada por técnicos e especialistas em educação, distanciando os executores dos planejadores e tornando professores e alunos em executores de tarefas prontas.
            Com essas técnicas de racionalidade fica difícil de se ver a manifestação da curiosidade nos atos pedagógicos, segundo o paradigma de Schön, que foi citado por Santos (2001, p. 63 apud PANDINI, 2011, p. 41); e também a quebra de preconceitos, a criatividade e a criação de condições para que o professor aprenda a utilizar os espaços que poderão ser preenchidos com a reflexão na ação.

3.  CONCLUSÃO

            Sabe-se que no Brasil, nas décadas de 60, 70 e 80 do século XX, o regime político vivido era de uma ditadura militar, iniciado pela Revolução de 1964, em 31 de março. Os militares levavam o ideal iluminista da “ordem e do progresso” ao seu estilo: forte e truculento, ditador e opressor. Queriam gerir tudo, inclusive a educação. A nossa estrutura de ensino vinha das mãos da Igreja e o apelo católico em nossa grade disciplinar era marcadamente jesuístico. Tinha-se uma forte herança americana e europeia, tanto nos costumes quanto na área da educação, porém nossos estudiosos escolanovistas precisavam dar uma feição mais “tupiniquim” aos nossos currículos, e para tanto, desenvolveram estudos e pesquisas na área educacional, afim de mudar o sistema de ensino que ainda mantinha traços europeus ou americanos, quase militares no quesito disciplina e uniformidade, começando pela vestimenta e chegando ao ponto de controlar o corte de cabelos dos estudantes. Os nossos estudantes pareciam pertencer às fileiras militares, mais do que às cadeiras acadêmicas. O desenvolvimento industrial era pujante e consequentemente precisaríamos de mão de obra específica para o trabalho nas indústrias que vinham se instalar no país.  A escola como formadora e repetidora de saberes não servia mais de modelo à atual economia que se formava no país, não podia mais ser exclusividade de classes sociais menos submissas ao regime e precisava assumir a laicidade entre Estado e ensino público. Dessa necessidade surgiu o Manifesto dos Pioneiros da Escola Nova.

4.  REFERÊNCIAS

ACEVEDO, Claudia Rosa; NOHARA, Jouliana Jordan. Como fazer monografias: TCC, dissertações e teses. 4 ed. rev. e atual. São Paulo: Atlas, 2013. 272 p.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 10520: informação e documentação. citações em documento. apresentação. Rio de Janeiro: 2002. 7 p.

PANDINI, Carmen Maria Cipriani (org.); PEREIRA, Giselia Antunes; MACIEL, Vanessa de Almeida. Didática, Caderno pedagógico. 1 ed. Florianópolis: UDESC/CEAD/UAB, 2011. 186 p.


TAVARES, Rosilene Horta. Didática Geral. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2011. 141 p.

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