sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

“O Gênero Mulher”



       Duas atitudes impensadas. Dois pontos de vistas contrários ao bom senso e à liberdade de expressão. Homofobia e racismo. O que é o correto? O que é o normal? O correto é usar a “linguagem politicamente correta”? Por que esse termo se os políticos, digo, a maioria deles, nem falar o português corretamente conseguem? O nosso idioma é para poucos, mais letrados, é de difícil compreensão, é cheio de regras, confusas, e de muito preconceito, até o lingüístico, como nos demonstra tão brilhantemente BAGNO (2002). O que dirá de um “negrinho” qualquer. Ou então, será que a “bichinha” saberia se expressar melhor? Ou somente nas aulas de “ballet” ela se expressaria bem? Essa linguagem politicamente correta é muito hipócrita, pois, que diferença faz eu falar negro ou afro descendente para me referir às pessoas de pele escura? Com todo o meu preconceito disfarçado atrás da frase correta. Nossa! Quanto preconceito nesse primeiro parágrafo.
       Vamos recomeçar. Deixar para trás todo e qualquer tipo de preconceito ou pensamento que agrida o outro em sua liberdade de expressão. Vamos dar a mão à palmatória e pedir desculpas por tudo que fizemos de errado, durante tantos anos, gerações, séculos de história. O ser humano é um só, criado por um mesmo e único “deus”, Deus de todos e que a todos deu a mesma constituição física, porém a dividiu em duas: homens e mulheres, machos e fêmeas para os irracionais. Quanto às plantas, não sei bem quais seriam os comparativos de gênero.
Filme. O ABC do preconceito. Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=I8sTB5ei6Tk> Acesso em: 21 fev. 2014.
       Recentemente vimos na mídia o caso de uma mulher famosa, que é mãe e, no entanto, no auge da vida e do prestígio, jogar para o alto essa “casca” do politicamente correto. Se declarou apaixonada por outra mulher e foi embora. Deixou marido e filhos e foi morar com a outra. Viver sua paixão. Casou-se e é feliz. Que se danem os preconceitos, “falem o que quiserem, mas falem de mim”. Tudo bem que ter dinheiro, status, fama, ser madura e independente ajuda e muito tomar essa atitude, no mínimo, “ibopista”, já que os famosos não ligam para a sua individualidade, e sim para os holofotes. E para um(a) adolescente, um(a) jovem, sem a completa formação psíquica, sem formação profissional, sem independência, ou o que é pior, na completa dependência dos pais, no turbilhão dos seus hormônios, no auge de suas descobertas, de seu físico, seu corpo, seu sexo, como ficam? Como se dão essas transformações e descobertas? Como segui-las? Qual é o caminho certo?
Filme: Daniela Mercury fala sobre seu casamento, familia, sensualidade. Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=vZJhibLwQ5s> Acesso em: 21 fev. 2014.
       Hoje está mais fácil. Tem muita mulher fazendo papel de homem. O que era impensado há décadas, hoje é corriqueiro. Vemos motoristas de táxis, caminhões e ônibus, vemos pedreiras e azulejistas, mestres de obras, policiais e militares, bombeiras e porteiras. Vemos mães, hoje, onde só víamos homens, no passado. O mundo mudou e as mulheres mudaram. Os negros mudaram. Leis foram criadas para ajudá-los nessa retomada. Vemos a inclusão dos “gays” na televisão a todo instante, em papéis que antes só era de coadjuvantes. Vemos negros em postos de direção e altos postos militares, judiciais, políticos e religiosos. Vemos mulheres liderando grandes nações, enfim, o mundo é das minorias, antes excluídas, o mundo é das mulheres e dos homens, cujo gênero mulher é mais acentuado. O mundo está ficando “moreno”, tendo como ponto alto a eleição do presidente dos Estados Unidos da América. Temos alguns Cardeais negros na Igreja Católica que têm a possibilidade de se tornarem Papa, por estarem no único caminho de vir a ser o Sumo Pontífice.
Filme: Um dos candidatos a sucessor do Papa defende a pena de morte para "gays". Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=aD3QAJZ3T5w> Acesso em: 21 fev. 2014.
       O País precisa mudar os currículos; os professores que ainda têm preconceitos, precisam se atualizar, social e democraticamente; os dirigentes escolares precisam transformar suas escolas em verdadeiros centros de inclusão, social, humana e de apoio aos menos esclarecidos; e assim, todos juntos faremos a diferença de que tantos precisam. A solidariedade às famílias e às pessoas que dela necessitem, devem ser também difundidas nas escolas e ampliadas às comunidades que as circundam. Aí sim, teremos êxito nesta luta de inclusão. Faremos do ambiente escolar, a casa do incluído, para ali ele se sentir dono do seu mundo e compartilhá-lo com os demais, sem preconceitos racistas, de gênero, étnico, de necessidades especiais ou qualquer outro que afronte a dignidade da pessoa humana.
Filme: Escola de pais: por uma educação sem preconceitos. Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=n6KH58_Ye7Y> Acesso em: 21 fev. 2014.



O que envolve a educação e a diversidade



A educação em si já é bastante carregada de diversidades, quer sejam: etária, sexual, social, étnica, econômica, religiosa, extracurricular; ou de conhecimentos, de interesses, de aptidões e de necessidades. Toda esta diversidade somada dificulta em muito o trabalho dos “dirigentes” educacionais. Não deve ser fácil lidar com tanta diversidade. Temos que aprimorar os currículos e orientar as escolas nesse sentido. Não basta o professor e o aluno dito “excluído” se entenderem, tem que haver mais pessoas envolvidas na minimização desta exclusão. Numa sala com 45 pessoas não se tem consenso em tudo e, portanto, surgirão as diferenças, e essas diferenças trarão as particularidades de cada agente do processo. As regras têm que ser claras e bem definidas, a começar pela re-elaboração dos currículos escolares e dos materiais didáticos, que favorecem em muito essas diferenças. Todo livro de Geografia fala pouco da África, assim como todo livro de História fala muito da Colônia-Império escravagista. Ou seja: ou minimiza o valor da origem do negro africano ou maximiza o seu sofrimento enquanto fora escravizado. Mostra-se muito em livros de ciências a figura da mulher exercendo as profissões relacionadas à Saúde e ao Bem-estar, enquanto os livros de física e matemática aludem ao exemplo masculino como seus únicos seguidores. É sabido que são poucas as mulheres envolvidas com descobrimentos e fórmulas matemáticas, desde Pitágoras até chegarmos a Stephen Hawking e isso fez toda a diferença em relação à exclusão de gênero na educação. Nossas crianças, em todo o mundo, desde cedo aprendem quais são as áreas de atuação dos homens e das mulheres. O que pode ser visto no gráfico abaixo, que mostra o estereótipo de gênero que divide o ingresso nos cursos de Nível Superior, no Brasil:
GRÁFICO: Entrada de homens e mulheres em diferentes cursos de nível superior.
Fonte: Revista Nova Escola . Editora Abril. Ano XXVIII. Nº 266, outubro 2013. Retirado de: “Education at a Glance” Disponível em: <http://portal.inep.gov.br/estatisticas> Acesso em: 18 fev. 2014.

Gênero e etnia

Para que se respeitem as diferentes etnias existentes em nossas escolas, relacionadas aos índios, aos negros, aos “europeus”, e todos esses convergindo para a discriminação contra as mulheres, é preciso que se repense a metodologia sem ignorar que essas divergências existem e são culturalmente empregadas há décadas, senão séculos. É preciso que se introduza metodologia própria de cada cultura envolvida e que se busque a interação entre essas culturas, para que todos saibam como se dão os valores de cada cultura, para poderem respeitar as diferenças existentes em cada uma delas, com relação às outras. Já nos perguntamos por que têm afro-descendentes em todos os lugares do mundo? Os negros lutaram por sua liberdade, como raça, por mais de 400 anos. Os europeus foram à África levando quinquilharias e as trocavam por pessoas. Depois as levavam para as Américas e para a própria Europa, para vendê-las como escravos. Os homens eram requisitados nas lavouras e nas indústrias para o serviço pesado, enquanto as mulheres cuidavam dos serviços domésticos e mais leves, nem sempre, e muitas vezes eram vendidas para a prostituição. Aí também pode-se ver a questão do gênero e da etnia se misturando. A mulher sempre em segundo plano, mais fraca e mais objeto. A história da cultura africana e afro-brasileira é pouco ensinada nas escolas. Veja o gráfico:
GRÁFICO: Ensino da História Africana e Afro-brasileira em escolas públicas e privadas.
Fonte: Revista Nova Escola . Editora Abril. Ano XXVIII. Nº 268, p. 11. dez. 2013/ jan. 2014. Retirado de: “Pesquisa do Centro de Estudos das Relações do Trabalho e Desigualdades (Ceert) em parceria com Ministério da Educação (MEC) e a UNESCO”.

Gênero e relações raciais

            No nosso País, todos somos sujeitos da história, vivida tanto por brancos quanto por negros, ou índios. “A história interessa a todos [...], de acordo com o que diz Kabengele Munanga (In: Diversidade na educação: reflexões e experiências, 2003; apud: Programa Ética e Cidadania: construindo valores na escola e na sociedade: relações étnico-raciais e de gênero)  [...] independente de sua descendência, interessa ao negro e ao branco da mesma forma, pois como nos foi ensinada e é vista ainda hoje no material didático de nossos cursos, nos atinge o psicológico da mesma forma e com o mesmo dano”. Foi a reunião dos fatos vividos por uma ou por outra etnia que fez o País progredir e chegar ao que é hoje. Se houvesse apenas brancos, talvez fossemos como a Dinamarca: rica, desenvolvida e com um padrão ético tido como elevado. Se, por outro lado, fossemos apenas povoado por negros, quem sabe seríamos tal qual a Somália: atrasada, corrupta, miserável e faminta. Ou ainda, povoado por índios: estaríamos em guerra com nossos vizinhos por querermos preservar a natureza a todo custo e somente dela tirarmos nosso sustento, sem o desenvolvimento industrial, ao qual chegamos, em não sendo apenas esta ou aquela “raça”. Enfim, todos esses preconceitos e discriminações racistas, agridem o bom senso e ferem a dignidade dos envolvidos.

Gênero e sexualidade

            Além dessas misturas, tinha ainda a segregação feminina. A que tolhia as mulheres de liderarem grupos representativos e que buscavam poder e prestígio. Até nisso a mulher era “menorizada”, pois só conseguia estar à frente de “pequenos” trabalhos, de valores sociais talvez maiores, mas vistos pelos machistas de plantão como sem importância. Os livros didáticos são exemplos de sexismo, como já foi falado nos tópicos anteriores. As mulheres eram vistas mesmo é como objetos de satisfação. Elas tinham que dar prazer e não ordens. Usar a sua sexualidade para conseguirem, se quisessem, prestígio e poder, fama e dinheiro.

Gênero e orientação sexual

            Falar de orientação sexual implica em ser especialista em várias áreas do desenvolvimento humano, principalmente o psicológico. Porque orientação sexual é o modo como a pessoa se sente atraída por outra, e que hoje, existindo de maneira mais aberta a tendência homo afetiva, fica difícil para nós, leigos em psicologia e sexualismo, abordar o assunto com crianças ou jovens que supostamente estão menos preparados. Este assunto é como “campo minado”, principalmente se não tiver sido tratado em casa, onde as orientações sobre as normas morais são ensinadas desde cedo aos pequenos.

Fontes de consulta

Programa Ética e Cidadania: construindo valores na escola e na sociedade: relações étnico-raciais e de gênero. Elaboração: ARAÚJO, Ulisses F. et al. (Org.), FAFE – Fundação de Apoio à Faculdade de Educação (USP), Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Básica, 2007. 4 v. ISBN 978-85-98171-75-3.

Filme. O xadrez das cores. Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=ZfrSAmf-aeg>. Acesso em: 18 fev. 2014.

Filme. A rota do escravo. A alma da resistência. Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=HbreAbZhN4Q>. Acesso em: 18 fev. 2014.

Sitios pesquisados: http://www.generoracaetnia.org.br/ Acesso em: 18 fev. 2014.

Índices de percepção da corrupção. Disponível em: < http://pt.wikipedia.org/wiki/>. Acesso em: 18 fev. 2014.

Orientação sexual. Disponível em: < http://pt.wikipedia.org/wiki/Orienta%C3%A7%C3%A3o_sexual>. Acesso em: 18 fev. 2014.
respeito 
(latim respectus, -us, 
.ação de olhar para trás, .espetáculo, atenção)

substantivo masculino
1. Sentimento que nos impede de fazer ou dizer coisas desagradáveis a alguém.
2. Apreço, consideração, deferência.
3. Acatamento, obediência, submissão.
4. Medo do que os outros podem pensar de nós. = RECEIO, TEMOR

tolerância  tem alguma conotação negativa?

Resposta: Acredito eu, que sim. Segundo o mesmo dicionário, um sinônimo de tolerante é “condescendente” e essa palavra é por si só, de caráter discriminatório, pois em uma de suas definições está o seguinte enunciado: “Flexibilidade  de  .caráter  que  se  acomoda  ao  gosto  e  vontade  doutros.”; e outra definição, ainda mais carregada de discriminação, que é: “Superioridade  arrogante  ou paternalista em relação a algo ou alguém.”.

substantivo feminino
1. Condescendência ou indulgência para com aquilo que não se quer ou não se pode impedir.
2. Boa disposição dos que ouvem com paciência opiniões opostas às suas.
3. [Medicina]  Faculdade ou aptidão que o organismo dos doentes apresenta para suportar certos medicamentos.

Glossário

Condescendência. in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa “on-line”. 2008-2013. http://www.priberam.pt/dlpo/Condescend%C3%AAncia Acessado em: 13 fev. 2014.

Respeito. in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa “on-line”. 2008-2013. http://www.priberam.pt/dlpo/respeito Acessado em: 13 fev. 2014.


Tolerância. in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa “on-line”. 2008-2013. http://www.priberam.pt/dlpo/toler%C3%A2ncia Acessado em: 13 fev. 2014.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Maria, Maria

Letra da música: Maria, Maria. Disponível em:<http://letras.mus.br/milton-nascimento/47431> Acesso em: 7 fev. 2014.
Composição de Fernando Brant e Milton Nascimento.
Ano de lançamento: 1978.

Maria, Maria
É um dom, uma certa magia
Uma força que nos alerta
Uma mulher que merece
Viver e amar
Como outra qualquer
Do planeta
Maria, Maria
É o som, é a cor, é o suor
É a dose mais forte e lenta
De uma gente que ri
Quando deve chorar
E não vive, apenas aguenta
Mas é preciso ter força
É preciso ter raça
É preciso ter gana sempre
Quem traz no corpo a marca
Maria, Maria
Mistura a dor e a alegria
Mas é preciso ter manha
É preciso ter graça
É preciso ter sonho sempre
Quem traz na pele essa marca
Possui a estranha mania
De ter fé na vida
Mas é preciso ter força
É preciso ter raça
É preciso ter gana sempre
Quem traz no corpo a marca
Maria, Maria
Mistura a dor e a alegria
Mas é preciso ter manha
É preciso ter graça
É preciso ter sonho sempre
Quem traz na pele essa marca
Possui a estranha mania
De ter fé na vida
Ah! Hei! Ah! Hei! Ah! Hei!
Ah! Hei! Ah! Hei! Ah! Hei!!
Lá Lá Lá Lerererê Lerererê
Lá Lá Lá Lerererê Lerererê
Hei! Hei! Hei! Hei!
Ah! Hei! Ah! Hei! Ah! Hei!
Ah! Hei! Ah! Hei! Ah! Hei!
Lá Lá Lá Lerererê Lerererê!
Lá Lá Lá Lerererê Lerererê!
Mas é preciso ter força
É preciso ter raça
É preciso ter gana sempre
Quem traz no corpo a marca
Maria, Maria
Mistura a dor e a alegria
Mas é preciso ter manha
É preciso ter graça
É preciso ter sonho, sempre
Quem traz na pele essa marca
Possui a estranha mania
De ter fé na vida
Ah! Hei! Ah! Hei! Ah! Hei!
Ah! Hei! Ah! Hei! Ah! Hei!!
Lá Lá Lá Lerererê Lerererê
Lá Lá Lá Lerererê Lerererê
Hei! Hei! Hei! Hei!
Ah! Hei! Ah! Hei! Ah! Hei!
Ah! Hei! Ah! Hei! Ah! Hei!
Lá Lá Lá Lerererê Lerererê!
Lá Lá Lá Lerererê Lerererê!

Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=91OONh8fQsU> Acesso em: 7 fev. 2014.

Saiba mais em: <http://www.miltonnascimento.com.br/>

filme: Vida Maria




          O filme se passa no sertão do agreste nordestino e mostra a saga feminina. Saga essa que é uma realidade em algumas regiões do Brasil. Uma família pequena: Pai, mãe e filha, a Mª José, que vê seu sonho de aprender a ler ser trocado pelo serviço braçal. Muito comum a poda de iniciativas desenvolvimentistas, pois esclarecer-se significava ir embora. Deixar o lugar em busca de outros sustentos que poderiam ser melhores que aqueles vividos por gerações. O serviço que lhe cabia era o de “menor importância”, na sua infância e sem forças ainda, ela varria o quintal e dava água aos bichos. A discriminação do gênero vem de longa data e ali não era diferente, era aprendido e repassado de geração em geração. O tempo foi passando e ela cresceu, seu pai arrumou um ajudante, o Antônio, que logo se enamorou de Mª José. Muito comum, também o ajudante ou capataz se enamorar da filha do patrão. Muitas vezes eram parentes próximos e viviam até em promiscuidade, pelo fato de morarem em casas de pau a pique, com cômodos separados apenas por trapos de panos velhos.
       O trabalho dela continuava: varrer, carregar vasilhas de água, dar comida aos bichos e cozinhar, e Maria cada vez mais crescida teria aprendido a fazer outras artes, como a da geração de filhos. Casou-se com Antônio e tiveram muitos filhos, uns oito pelo menos. A família ficou unida, sempre na mesma moradia, pobre e pequena, mas cheia de vida. Maria, Antônio, seus nove filhos e os pais de Maria, todos vivendo da mesma miséria. Vida pobre e sofrida, longe de tudo e de todos, entra verão e sai verão, de sol a sol naquele marasmo. Dar comida aos animais, varrer, buscar água e fazer filhos...até que a morte se encarregou da mãe de Maria José e ela mais seu filhos, seu pai e seu marido, velaram a mãe ali mesmo no quarto da casa, onde era também o costume, para depois enterrá-la em um pequeno cemitério que deveria ter muito próximo dali, dentro das próprias terras, como se fosse um cemitério particular onde se enterravam os mortos da família há gerações.
       Até que um dia a cena se repetiu. Maria José, já em idade avançada, repreendeu sua filha, Maria de Lourdes, quando esta estava à janela fazendo desenhos de seu nome em um caderno. O mesmo caderno herdado de sua avó e que passou para todas as Marias da família. Caderno onde se pôde ler os vários nomes das Marias que nasceram nessa família e que pudemos comprovar a existência da hereditariedade do analfabetismo e da submissão feminina no sertão nordestino. Nessa região mais do que em outras regiões.
       Não que ao sul ou sudeste não exista a submissão e o desrespeito à mulher, mas é visto em menor grau ou maior disfarce pelo fato de a cultura ser diferente. Mais proximidade entre zona rural e grandes centros. Melhores índices de estrutura básica. Melhores e mais bem aparelhadas escolas. Grandes centros universitários. Parques industriais que absorvem mão de obra qualificada. Comércio hiper diversificado, etc. Tudo isso leva aos estudos, à busca de conhecimentos, ao entendimento das leis e aplicação das sanções aos que as infringem, e, conseqüentemente mais preparo das pessoas, inclusive as mulheres, e essas são mais bem  instruídas em seus direitos do que aquelas.

RAMOS, Márcio.Vida Maria. 2006. Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=OUYkei8cI6I> Acesso em: 7 fev. 2014

      Depois de vermos o filme e analisarmos a letra da música do Milton Nascimento, podemos esperar que Maria seja algo além das forças normais, vivente de outros mundos, que sobrevive da garra que nem todas têm. Maria precisa ter raça, força e dom para suportar rindo o quê outros nem aguentariam, mesmo chorando. Na cor de sua pele, no suor de sua labuta, Maria vai se fortalecendo através da dor que sente, e por ter fé na vida, é que vai suportando todo o sofrimento e passando à sua prole o mesmo dom. Dom da dureza de aguentar o peso de suas obrigações, impostas a ela pela simples razão de ter nascido mulher, nordestina, pobre, parda e analfabeta. 

           Mas essas atitudes estão mudando, as mulheres estão guerreiras e conscientes de seu lugar no planeta. Sabem que são tão capazes ou até melhores que os homens em determinados campos científicos. Em resposta a este filme, postei outro, (Uma Maria atual..."educalizada".) atual e que mostra como nós, pais e educadores, podemos contribuir e incentivar, diferente dos pais da Maria José (do filme), "nossas filhas" a buscarem e conquistarem o seu devido lugar de direito. Como disse um colega num outro fórum, "...somos todos iguais braços dados ou não..." citando Geraldo Vandré.

Uma Maria atual..."educalizada".


Legendas e Tradução por: Pedro Nery Reginato Filho.
Brasilia, DF. 18 de janeiro de 2014.

R.A.: Primeira edição da etapa internacional de astronomia organizado
pela ESO, para jovens de escolas secundárias. Cinquenta e seis
jovens de dezenove países chegaram em San Barthelemy para
participarem de lições teóricas e atividades práticas
organizadas pelo Observatório astronômico do Vale d’Aosta.
Vamos assistir:
R.C.: Chegaram ao Observatório de San Barthelemy, vindos de quatro
continentes, cinquenta e seis garotos e garotas com idades entre
dezesseis e dezoito anos, selecionados para participarem da
primeira edição do estágio internacional de astronomia para
estudantes de escolas secundárias, da ESO.
(Observatório Europeu do Sul - European Southern Observatory).
O curso é organizado pela sociedade holandesa Sterrenlab.
A Dra. Cristina Olivotto nos explica como foram escolhidos os
participantes, a partir das cento e setenta inscrições recebidas.
C.O.: Foram escolhidos com base em um texto, ou um vídeo, ou ainda
de uma imagem que eles mandaram, no qual pedimos para eles
descreverem a motivação da paixão deles pela astronomia e,
com base no entusiasmo, na competência e também na proveniência
deles, para criar um grupo internacional e multicultural.
R.C.: Os jovens trouxeram consigo alguns objetos que os representassem, pendurados aqui, próximos ao mapa mundo sobre o qual estão
marcados os países de proveniência, bem dezenove, entre eles
Irã, Egito, Rússia, Turquia e Brasil, e naturalmente nações
da União Europeia dentre as quais a Itália.
Mas como se desenvolve esse primeiro acampamento
astronômico da ESO?
Para responder, o Dr. Davide Cenadelli:
D.C.: Particularmente se dedicam ao estudo das estrelas de ampla
luminescência espectroscópica, e aqui eles aprofundaram também a
rádio astronomia, a astronomia infravermelha. Tem também a astronomia
 à cores, em geral, astronomia nas várias, nas várias bandas do espectro eletromagnético: o visível, o infravermelho, o rádio e também, um pouco
desta, a astronomia moderna.
R.C.: Eis aqui alguns dos cinquenta e seis jovens, o primeiro italiano:
Edoardo, da Macerata (MC):
E.: Nas diversas experiências que foram...  
...extremamente viciantes...  
...não só no aspecto teórico... ...visto...
mas, também com as lições... ...já,
de acordo...com as atividades práticas...
 ...com as observações no observatório.
Marcella Fernandes Reginato: (My name is Marcella and I am from Brazil)...
R.C.: “Sou Marcella e venho do Brasil, amo a astronomia
desde que tinha cinco anos.”
“Foi belíssimo olhar o céu de noite com o telescópio
 e quando saí para observar Júpiter, me derramei em lágrimas,
adoro Júpiter e é a primeira vez que o vejo assim.”
A.: (My name is Aelia, I am from Iran)...
R.C.: ”A astronomia sempre foi meu hobby”,
disse Aelia que veio do Irã.
Eu me inscrevi tão logo pude, apesar da distância estou aqui.
Em Teerã temos uma altíssima taxa de poluição atmosférica e
não podemos ver bem as estrelas.
Estou espantada da beleza do céu aqui.
O acampamento está bem organizado, tudo está perfeito.
A.: (Eu estou muito, muito feliz de estar aqui, porque...)
(I am very very happy to be here, because...)

Leia a entrevista completa da revista digital "Ciências Hoje"

Veja também a 1ª entrevista de Marcella, antes da ida aos Alpes

Veja ainda a reportagm feita pelo Portal IG.

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Essas novas tecnologias



O que são tecnologias? A redescoberta do homem.

Para começar esse texto é preciso estar posicionado sobre o entendimento dos conceitos de técnica e de tecnologia, que são diferentes, porém complementares. A técnica de se fazer algo, como por exemplo: pescar. É preciso para tanto, ter uma fonte de água piscosa e a determinação de que queremos pegar um, ou vários peixes. Daí, vamos ao local e nos pomos a lutar contra tudo e contra todos – os peixes – na tentativa de pegá-los com as mãos limpas, ou seja, sem nenhum utensílio, sem nenhuma tecnologia disponível para executarmos a técnica da pescaria de maneira eficaz. É desta forma que se pode exemplificar a diferença entre técnica e tecnologia conceitualmente, porém, como afirma Mendes (2011, p. 22) esta é uma definição limitada do conceito de tecnologia. Outra maneira de se comparar os conceitos seria o de se ligar “o fazer”, à necessidade de “se fazer” cada vez mais rápido e melhor, uma determinada tarefa, como dito por Bueno (1999, p. 87) apud (MENDES, João. 2011) “[...] aplicar a técnica e modificar, melhorar, aprimorar os produtos tendo em vista atender determinadas necessidades.”
Assim posto serviu para mostrar que na tentativa muitas vezes frustrada de se querer pescar com as mãos vazias, seria melhor que se usasse uma das tecnologias existentes para tal, afim de eficazmente se lograr êxito na tarefa, e, para se alcançar o sucesso nesta pescaria – a técnica – se utilizasse uma das tecnologias disponíveis a favor da eficiência na sua execução. Por exemplo: passa-se a usar uma lança ou arco e flechas, ou ainda linhas com anzóis, ou redes de malha, ou arpões de ar comprimido, ou tarrafas, etc., ou ainda, o topo da tecnologia pesqueira: o uso de sonares que detectam grandes cardumes para que os pegue, a muitos deles, cercando-os com enormes redes, lançadas de enormes barcos pesqueiros equipados com frigoríficos e usados em alto mar na pescaria industrial. Podemos constatar então, que tecnologia não é um único produto e sim um processo de evolução, e o principal agente desse processo, segundo Bueno (1999, p. 86) apud Mendes (2011, p. 22-23) é o ser humano, com suas mãos, seus saberes, seus pensamentos e suas ações.
Atualmente se fala muito em novas tecnologias, termo cunhado por alguns autores para definir as tecnologias ligadas à informática e às telecomunicações digitais. Veja o telefone, antigamente a manivelas. Era uma caixa de madeira, com um duto cônico onde se colocava o ouvido, e a outra peça, que mais parecia um sino, pendurada a um gancho e ligada a um cabo – fio – onde se falava. Faziam-se as ligações com o auxílio das telefonistas, que faziam as comutações manualmente, em grandes mesas operacionais cheias de cabos e painéis com conectores interligados. Para ser feita uma ligação de longa distância recorria-se a elas. Se for perguntado a um jovem secundarista o significado das três letras – DDD – certamente não saberá responder.
E a tecnologia não parou por aí, foi além, caiu a manivela e veio o disco, com seus dez orifícios onde se inseriam os dedos para discar o número desejado, girando-o até um ponto fixo que limitava a sua rolagem. Eram aparelhos pretos, grandes e pesados, feitos de uma resina dura que parecia ferro. Evoluíram depois para o telefone sem fio, com teclados de toque, antenas receptoras acopladas, e com um alcance inimaginável para a época, ao redor de sua base fixa de uns cinco metros de raio, talvez. Foram então evoluindo, diminuindo de tamanho, aumentando o seu alcance e as suas funções. Mudou também a tecnologia do sinal, de analógico para digital, de pulsada para tom e surgiram os primeiros celulares. Eram geralmente menores que os modelos fixos, mas alguns ainda eram grandes e pesados. Outros carregavam a bateria em uma bolsa separada para não perder a mobilidade e mais se pareciam com uma base de radioamador.
Hoje se usa um aparelho pesando menos de 100 gramas, medindo pouco mais que 10 cm por 5 cm e uma espessura de 1 cm. Com ele se fala com o mundo todo, desde que se tenha habilitado e disponibilizado o serviço de internet WiFi, via toques na tela de cristal líquido. Arrasta-se o dedo pela tela – touch screen – e se pode jogar, se pode calcular, marcam-se datas em lembretes de calendários, se localizam geograficamente por GPS, se cronometram passagens do tempo, tanto prá frente quanto reversamente, se tiram fotos panorâmicas, se fazem filmagens com áudio, usam-no como lanternas, como televisão, rádio e tocador de músicas em formato MP3 e também para enviarem mensagens instantâneas – SMS – para qualquer destino, perto ou longe, local ou internacional, bastando digitar o código e os números que se queira. Usa-se o celular inclusive para falar com outra pessoa e até como computador pessoal, limitado é claro! – qualquer semelhança com a operadora é mera coincidência.
Não se pode falar em tecnologia de telecomunicações sem dar créditos aos seus mentores. Graham Bell e Antonio Meucci são considerados os inventores do telefone, assim como a Xerox e a Apple são as empresas que tornaram o uso do mouse uma revolução tecnológica para o mundo da microinformática; e não se pode falar em micro computadores pessoais sem citar também os nomes de Steve Jobs e Bill Gates.
Por que não usar a tecnologia a nosso favor? Se bem utilizada, serve de ferramenta institucional para o aprendizado de crianças e adultos. Serve como o prolongamento do lápis dos estudantes, do giz dos professores, do telescópio dos astrofísicos e do microscópio dos bioquímicos, entre outros.
Cabe aos educadores primeiros, os pais em casa, estabelecerem limites para o seu uso e educarem os seus filhos para que saibam como, onde e quando usarem as NTICs. Assim como cabe aos dirigentes educacionais, nas escolas, deixarem bem transparente as regras de aceitação e uso destas NTICs, que deverão ser em horários e locais pré-estabelecidos. Elas não podem servir de distrações em horário de aulas explanativas-expositivas, sob pena do comprometimento do aprendizado e do conteúdo educacional, como também servir de entrave para o desenvolvimento intelectual, onde valores éticos como disciplina, respeito e ordem deverão ser aprendidos na escola e também trazidos de casa.