domingo, 9 de fevereiro de 2014

Essas novas tecnologias



O que são tecnologias? A redescoberta do homem.

Para começar esse texto é preciso estar posicionado sobre o entendimento dos conceitos de técnica e de tecnologia, que são diferentes, porém complementares. A técnica de se fazer algo, como por exemplo: pescar. É preciso para tanto, ter uma fonte de água piscosa e a determinação de que queremos pegar um, ou vários peixes. Daí, vamos ao local e nos pomos a lutar contra tudo e contra todos – os peixes – na tentativa de pegá-los com as mãos limpas, ou seja, sem nenhum utensílio, sem nenhuma tecnologia disponível para executarmos a técnica da pescaria de maneira eficaz. É desta forma que se pode exemplificar a diferença entre técnica e tecnologia conceitualmente, porém, como afirma Mendes (2011, p. 22) esta é uma definição limitada do conceito de tecnologia. Outra maneira de se comparar os conceitos seria o de se ligar “o fazer”, à necessidade de “se fazer” cada vez mais rápido e melhor, uma determinada tarefa, como dito por Bueno (1999, p. 87) apud (MENDES, João. 2011) “[...] aplicar a técnica e modificar, melhorar, aprimorar os produtos tendo em vista atender determinadas necessidades.”
Assim posto serviu para mostrar que na tentativa muitas vezes frustrada de se querer pescar com as mãos vazias, seria melhor que se usasse uma das tecnologias existentes para tal, afim de eficazmente se lograr êxito na tarefa, e, para se alcançar o sucesso nesta pescaria – a técnica – se utilizasse uma das tecnologias disponíveis a favor da eficiência na sua execução. Por exemplo: passa-se a usar uma lança ou arco e flechas, ou ainda linhas com anzóis, ou redes de malha, ou arpões de ar comprimido, ou tarrafas, etc., ou ainda, o topo da tecnologia pesqueira: o uso de sonares que detectam grandes cardumes para que os pegue, a muitos deles, cercando-os com enormes redes, lançadas de enormes barcos pesqueiros equipados com frigoríficos e usados em alto mar na pescaria industrial. Podemos constatar então, que tecnologia não é um único produto e sim um processo de evolução, e o principal agente desse processo, segundo Bueno (1999, p. 86) apud Mendes (2011, p. 22-23) é o ser humano, com suas mãos, seus saberes, seus pensamentos e suas ações.
Atualmente se fala muito em novas tecnologias, termo cunhado por alguns autores para definir as tecnologias ligadas à informática e às telecomunicações digitais. Veja o telefone, antigamente a manivelas. Era uma caixa de madeira, com um duto cônico onde se colocava o ouvido, e a outra peça, que mais parecia um sino, pendurada a um gancho e ligada a um cabo – fio – onde se falava. Faziam-se as ligações com o auxílio das telefonistas, que faziam as comutações manualmente, em grandes mesas operacionais cheias de cabos e painéis com conectores interligados. Para ser feita uma ligação de longa distância recorria-se a elas. Se for perguntado a um jovem secundarista o significado das três letras – DDD – certamente não saberá responder.
E a tecnologia não parou por aí, foi além, caiu a manivela e veio o disco, com seus dez orifícios onde se inseriam os dedos para discar o número desejado, girando-o até um ponto fixo que limitava a sua rolagem. Eram aparelhos pretos, grandes e pesados, feitos de uma resina dura que parecia ferro. Evoluíram depois para o telefone sem fio, com teclados de toque, antenas receptoras acopladas, e com um alcance inimaginável para a época, ao redor de sua base fixa de uns cinco metros de raio, talvez. Foram então evoluindo, diminuindo de tamanho, aumentando o seu alcance e as suas funções. Mudou também a tecnologia do sinal, de analógico para digital, de pulsada para tom e surgiram os primeiros celulares. Eram geralmente menores que os modelos fixos, mas alguns ainda eram grandes e pesados. Outros carregavam a bateria em uma bolsa separada para não perder a mobilidade e mais se pareciam com uma base de radioamador.
Hoje se usa um aparelho pesando menos de 100 gramas, medindo pouco mais que 10 cm por 5 cm e uma espessura de 1 cm. Com ele se fala com o mundo todo, desde que se tenha habilitado e disponibilizado o serviço de internet WiFi, via toques na tela de cristal líquido. Arrasta-se o dedo pela tela – touch screen – e se pode jogar, se pode calcular, marcam-se datas em lembretes de calendários, se localizam geograficamente por GPS, se cronometram passagens do tempo, tanto prá frente quanto reversamente, se tiram fotos panorâmicas, se fazem filmagens com áudio, usam-no como lanternas, como televisão, rádio e tocador de músicas em formato MP3 e também para enviarem mensagens instantâneas – SMS – para qualquer destino, perto ou longe, local ou internacional, bastando digitar o código e os números que se queira. Usa-se o celular inclusive para falar com outra pessoa e até como computador pessoal, limitado é claro! – qualquer semelhança com a operadora é mera coincidência.
Não se pode falar em tecnologia de telecomunicações sem dar créditos aos seus mentores. Graham Bell e Antonio Meucci são considerados os inventores do telefone, assim como a Xerox e a Apple são as empresas que tornaram o uso do mouse uma revolução tecnológica para o mundo da microinformática; e não se pode falar em micro computadores pessoais sem citar também os nomes de Steve Jobs e Bill Gates.
Por que não usar a tecnologia a nosso favor? Se bem utilizada, serve de ferramenta institucional para o aprendizado de crianças e adultos. Serve como o prolongamento do lápis dos estudantes, do giz dos professores, do telescópio dos astrofísicos e do microscópio dos bioquímicos, entre outros.
Cabe aos educadores primeiros, os pais em casa, estabelecerem limites para o seu uso e educarem os seus filhos para que saibam como, onde e quando usarem as NTICs. Assim como cabe aos dirigentes educacionais, nas escolas, deixarem bem transparente as regras de aceitação e uso destas NTICs, que deverão ser em horários e locais pré-estabelecidos. Elas não podem servir de distrações em horário de aulas explanativas-expositivas, sob pena do comprometimento do aprendizado e do conteúdo educacional, como também servir de entrave para o desenvolvimento intelectual, onde valores éticos como disciplina, respeito e ordem deverão ser aprendidos na escola e também trazidos de casa.

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