O que são tecnologias? A redescoberta do
homem.
Para começar
esse texto é preciso estar posicionado sobre o entendimento dos conceitos de técnica
e de tecnologia, que são diferentes, porém complementares. A técnica de se fazer
algo, como por exemplo: pescar. É preciso para tanto, ter uma fonte de água
piscosa e a determinação de que queremos pegar um, ou vários peixes. Daí, vamos
ao local e nos pomos a lutar contra tudo e contra todos – os peixes – na
tentativa de pegá-los com as mãos limpas, ou seja, sem nenhum utensílio, sem
nenhuma tecnologia disponível para executarmos a técnica da pescaria de maneira
eficaz. É desta forma que se pode exemplificar a diferença entre técnica e
tecnologia conceitualmente, porém, como afirma Mendes (2011, p. 22) esta é uma
definição limitada do conceito de tecnologia. Outra maneira de se comparar os
conceitos seria o de se ligar “o fazer”, à necessidade de “se fazer” cada vez
mais rápido e melhor, uma determinada tarefa, como dito por Bueno (1999, p. 87)
apud (MENDES, João. 2011) “[...] aplicar a técnica e modificar, melhorar,
aprimorar os produtos tendo em vista atender determinadas necessidades.”
Assim
posto serviu para mostrar que na tentativa muitas vezes frustrada de se querer
pescar com as mãos vazias, seria melhor que se usasse uma das tecnologias
existentes para tal, afim de eficazmente se lograr êxito na tarefa, e, para se
alcançar o sucesso nesta pescaria – a técnica – se utilizasse uma das tecnologias
disponíveis a favor da eficiência na sua execução. Por exemplo: passa-se a usar
uma lança ou arco e flechas, ou ainda linhas com anzóis, ou redes de malha, ou
arpões de ar comprimido, ou tarrafas, etc., ou ainda, o topo da tecnologia
pesqueira: o uso de sonares que detectam grandes cardumes para que os pegue, a
muitos deles, cercando-os com enormes redes, lançadas de enormes barcos
pesqueiros equipados com frigoríficos e usados em alto mar na pescaria
industrial. Podemos constatar então, que tecnologia não é um único produto e
sim um processo de evolução, e o principal agente desse processo, segundo Bueno
(1999, p. 86) apud Mendes (2011, p. 22-23) é o ser humano, com suas mãos, seus
saberes, seus pensamentos e suas ações.
Atualmente
se fala muito em novas tecnologias, termo cunhado por alguns autores para
definir as tecnologias ligadas à informática e às telecomunicações digitais. Veja
o telefone, antigamente a manivelas. Era uma caixa de madeira, com um duto
cônico onde se colocava o ouvido, e a outra peça, que mais parecia um sino,
pendurada a um gancho e ligada a um cabo – fio – onde se falava. Faziam-se as
ligações com o auxílio das telefonistas, que faziam as comutações manualmente,
em grandes mesas operacionais cheias de cabos e painéis com conectores
interligados. Para ser feita uma ligação de longa distância recorria-se a elas.
Se for perguntado a um jovem secundarista o significado das três letras – DDD –
certamente não saberá responder.
E a tecnologia
não parou por aí, foi além, caiu a manivela e veio o disco, com seus dez
orifícios onde se inseriam os dedos para discar o número desejado, girando-o
até um ponto fixo que limitava a sua rolagem. Eram aparelhos pretos, grandes e
pesados, feitos de uma resina dura que parecia ferro. Evoluíram depois para o
telefone sem fio, com teclados de toque, antenas receptoras acopladas, e com um
alcance inimaginável para a época, ao redor de sua base fixa de uns cinco
metros de raio, talvez. Foram então evoluindo, diminuindo de tamanho,
aumentando o seu alcance e as suas funções. Mudou também a tecnologia do sinal,
de analógico para digital, de pulsada para tom e surgiram os primeiros
celulares. Eram geralmente menores que os modelos fixos, mas alguns ainda eram
grandes e pesados. Outros carregavam a bateria em uma bolsa separada para não
perder a mobilidade e mais se pareciam com uma base de radioamador.
Hoje
se usa um aparelho pesando menos de 100 gramas, medindo pouco mais que 10 cm
por 5 cm e uma espessura de 1 cm. Com ele se fala com o mundo todo, desde que
se tenha habilitado e disponibilizado o serviço de internet WiFi, via toques na tela de cristal
líquido. Arrasta-se o dedo pela tela – touch
screen – e se pode jogar, se pode calcular, marcam-se datas em lembretes de
calendários, se localizam geograficamente por GPS, se cronometram passagens do tempo, tanto prá frente quanto
reversamente, se tiram fotos panorâmicas, se fazem filmagens com áudio, usam-no
como lanternas, como televisão, rádio e tocador de músicas em formato MP3 e também para enviarem mensagens
instantâneas – SMS – para qualquer
destino, perto ou longe, local ou internacional, bastando digitar o código e os
números que se queira. Usa-se o celular inclusive para falar com outra pessoa e
até como computador pessoal, limitado é claro! – qualquer semelhança com a
operadora é mera coincidência.
Não se
pode falar em tecnologia de telecomunicações sem dar créditos aos seus
mentores. Graham Bell e Antonio Meucci são
considerados os inventores do telefone, assim como a Xerox e a Apple são as empresas que tornaram o uso do mouse uma
revolução tecnológica para o mundo da microinformática; e não se pode falar em
micro computadores pessoais sem citar também os nomes de Steve Jobs e Bill Gates.
Por
que não usar a tecnologia a nosso favor? Se bem utilizada, serve de ferramenta
institucional para o aprendizado de crianças e adultos. Serve como o
prolongamento do lápis dos estudantes, do giz dos professores, do telescópio dos
astrofísicos e do microscópio dos bioquímicos, entre outros.
Cabe
aos educadores primeiros, os pais em casa, estabelecerem limites para o seu uso
e educarem os seus filhos para que saibam como, onde e quando usarem as NTICs.
Assim como cabe aos dirigentes educacionais, nas escolas, deixarem bem
transparente as regras de aceitação e uso destas NTICs, que deverão ser em
horários e locais pré-estabelecidos. Elas não podem servir de distrações em
horário de aulas explanativas-expositivas, sob pena do comprometimento do
aprendizado e do conteúdo educacional, como também servir de entrave para o
desenvolvimento intelectual, onde valores éticos como disciplina, respeito e
ordem deverão ser aprendidos na escola e também trazidos de casa.
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