A
educação em si já é bastante carregada de diversidades, quer sejam: etária,
sexual, social, étnica, econômica, religiosa, extracurricular; ou de
conhecimentos, de interesses, de aptidões e de necessidades. Toda esta
diversidade somada dificulta em muito o trabalho dos “dirigentes” educacionais.
Não deve ser fácil lidar com tanta diversidade. Temos que aprimorar os
currículos e orientar as escolas nesse sentido. Não basta o professor e o aluno
dito “excluído” se entenderem, tem que haver mais pessoas envolvidas na
minimização desta exclusão. Numa sala com 45 pessoas não se tem consenso em
tudo e, portanto, surgirão as diferenças, e essas diferenças trarão as
particularidades de cada agente do processo. As regras têm que ser claras e bem
definidas, a começar pela re-elaboração dos currículos escolares e dos
materiais didáticos, que favorecem em muito essas diferenças. Todo livro de
Geografia fala pouco da África, assim como todo livro de História fala muito da
Colônia-Império escravagista. Ou seja: ou minimiza o valor da origem do negro
africano ou maximiza o seu sofrimento enquanto fora escravizado. Mostra-se
muito em livros de ciências a figura da mulher exercendo as profissões
relacionadas à Saúde e ao Bem-estar, enquanto os livros de física e matemática
aludem ao exemplo masculino como seus únicos seguidores. É sabido que são
poucas as mulheres envolvidas com descobrimentos e fórmulas matemáticas, desde Pitágoras até chegarmos a Stephen Hawking e isso fez toda a
diferença em relação à exclusão de gênero na educação. Nossas crianças, em todo
o mundo, desde cedo aprendem quais são as áreas de atuação dos homens e das
mulheres. O que pode ser visto no gráfico abaixo, que mostra o estereótipo de
gênero que divide o ingresso nos cursos de Nível Superior, no Brasil:
GRÁFICO: Entrada de homens e
mulheres em diferentes cursos de nível superior.
Fonte: Revista Nova Escola . Editora Abril. Ano
XXVIII. Nº 266, outubro 2013. Retirado de: “Education
at a Glance” Disponível em: <http://portal.inep.gov.br/estatisticas> Acesso em: 18 fev. 2014.
Gênero e etnia
Para
que se respeitem as diferentes etnias existentes em nossas escolas,
relacionadas aos índios, aos negros, aos “europeus”, e todos esses convergindo
para a discriminação contra as mulheres, é preciso que se repense a metodologia
sem ignorar que essas divergências existem e são culturalmente empregadas há
décadas, senão séculos. É preciso que se introduza metodologia própria de cada
cultura envolvida e que se busque a interação entre essas culturas, para que
todos saibam como se dão os valores de cada cultura, para poderem respeitar as
diferenças existentes em cada uma delas, com relação às outras. Já nos
perguntamos por que têm afro-descendentes em todos os lugares do mundo? Os
negros lutaram por sua liberdade, como raça, por mais de 400 anos. Os europeus
foram à África levando quinquilharias e as trocavam por pessoas. Depois as
levavam para as Américas e para a própria Europa, para vendê-las como escravos.
Os homens eram requisitados nas lavouras e nas indústrias para o serviço
pesado, enquanto as mulheres cuidavam dos serviços domésticos e mais leves, nem
sempre, e muitas vezes eram vendidas para a prostituição. Aí também pode-se ver
a questão do gênero e da etnia se misturando. A mulher sempre em segundo plano,
mais fraca e mais objeto. A história da cultura africana e afro-brasileira é
pouco ensinada nas escolas. Veja o gráfico:
GRÁFICO:
Ensino da História Africana e Afro-brasileira em escolas públicas e privadas.
Fonte: Revista Nova Escola . Editora Abril. Ano
XXVIII. Nº 268, p. 11. dez. 2013/ jan. 2014. Retirado de: “Pesquisa do Centro
de Estudos das Relações do Trabalho e Desigualdades (Ceert) em parceria com
Ministério da Educação (MEC) e a UNESCO”.
Gênero e relações raciais
No nosso País, todos somos sujeitos
da história, vivida tanto por brancos quanto por negros, ou índios. “A história
interessa a todos [...], de acordo com o que diz Kabengele Munanga (In:
Diversidade na educação: reflexões e experiências, 2003; apud: Programa
Ética e Cidadania: construindo valores na escola e na sociedade: relações
étnico-raciais e de gênero) [...]
independente de sua descendência, interessa ao negro e ao branco da mesma
forma, pois como nos foi ensinada e é vista ainda hoje no material didático de
nossos cursos, nos atinge o psicológico da mesma forma e com o mesmo dano”. Foi
a reunião dos fatos vividos por uma ou por outra etnia que fez o País progredir
e chegar ao que é hoje. Se houvesse apenas brancos, talvez fossemos como a Dinamarca: rica, desenvolvida e com um
padrão ético tido como elevado. Se, por outro lado, fossemos apenas povoado por
negros, quem sabe seríamos tal qual a Somália:
atrasada, corrupta, miserável e faminta. Ou ainda, povoado por índios:
estaríamos em guerra com nossos vizinhos por querermos preservar a natureza a
todo custo e somente dela tirarmos nosso sustento, sem o desenvolvimento
industrial, ao qual chegamos, em não sendo apenas esta ou aquela “raça”. Enfim,
todos esses preconceitos e discriminações racistas, agridem o bom senso e ferem
a dignidade dos envolvidos.
Gênero e sexualidade
Além dessas misturas, tinha ainda a
segregação feminina. A que tolhia as mulheres de liderarem grupos
representativos e que buscavam poder e prestígio. Até nisso a mulher era
“menorizada”, pois só conseguia estar à frente de “pequenos” trabalhos, de
valores sociais talvez maiores, mas vistos pelos machistas de plantão como sem
importância. Os livros didáticos são exemplos de sexismo, como já foi falado
nos tópicos anteriores. As mulheres eram vistas mesmo é como objetos de
satisfação. Elas tinham que dar prazer e não ordens. Usar a sua sexualidade
para conseguirem, se quisessem, prestígio e poder, fama e dinheiro.
Gênero e orientação sexual
Falar de orientação sexual implica
em ser especialista em várias áreas do desenvolvimento humano, principalmente o
psicológico. Porque orientação sexual é o modo como a pessoa se sente atraída
por outra, e que hoje, existindo de maneira mais aberta a tendência homo
afetiva, fica difícil para nós, leigos em psicologia e sexualismo, abordar o
assunto com crianças ou jovens que supostamente estão menos preparados. Este
assunto é como “campo minado”, principalmente se não tiver sido tratado em
casa, onde as orientações sobre as normas morais são ensinadas desde cedo aos
pequenos.
Fontes de consulta
Programa Ética e Cidadania: construindo valores na escola e na sociedade: relações
étnico-raciais e de gênero. Elaboração: ARAÚJO, Ulisses F. et al. (Org.), FAFE
– Fundação de Apoio à Faculdade de Educação (USP), Brasília: Ministério da
Educação, Secretaria de Educação Básica, 2007. 4 v. ISBN 978-85-98171-75-3.
Filme. O
xadrez das cores. Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=ZfrSAmf-aeg>. Acesso em: 18 fev. 2014.
Filme. A
rota do escravo. A alma da resistência.
Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=HbreAbZhN4Q>. Acesso
em: 18 fev. 2014.
Índices de
percepção da corrupção. Disponível em: < http://pt.wikipedia.org/wiki/>.
Acesso em: 18 fev. 2014.
Orientação
sexual.
Disponível em: < http://pt.wikipedia.org/wiki/Orienta%C3%A7%C3%A3o_sexual>.
Acesso em: 18 fev. 2014.
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