sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

O que envolve a educação e a diversidade



A educação em si já é bastante carregada de diversidades, quer sejam: etária, sexual, social, étnica, econômica, religiosa, extracurricular; ou de conhecimentos, de interesses, de aptidões e de necessidades. Toda esta diversidade somada dificulta em muito o trabalho dos “dirigentes” educacionais. Não deve ser fácil lidar com tanta diversidade. Temos que aprimorar os currículos e orientar as escolas nesse sentido. Não basta o professor e o aluno dito “excluído” se entenderem, tem que haver mais pessoas envolvidas na minimização desta exclusão. Numa sala com 45 pessoas não se tem consenso em tudo e, portanto, surgirão as diferenças, e essas diferenças trarão as particularidades de cada agente do processo. As regras têm que ser claras e bem definidas, a começar pela re-elaboração dos currículos escolares e dos materiais didáticos, que favorecem em muito essas diferenças. Todo livro de Geografia fala pouco da África, assim como todo livro de História fala muito da Colônia-Império escravagista. Ou seja: ou minimiza o valor da origem do negro africano ou maximiza o seu sofrimento enquanto fora escravizado. Mostra-se muito em livros de ciências a figura da mulher exercendo as profissões relacionadas à Saúde e ao Bem-estar, enquanto os livros de física e matemática aludem ao exemplo masculino como seus únicos seguidores. É sabido que são poucas as mulheres envolvidas com descobrimentos e fórmulas matemáticas, desde Pitágoras até chegarmos a Stephen Hawking e isso fez toda a diferença em relação à exclusão de gênero na educação. Nossas crianças, em todo o mundo, desde cedo aprendem quais são as áreas de atuação dos homens e das mulheres. O que pode ser visto no gráfico abaixo, que mostra o estereótipo de gênero que divide o ingresso nos cursos de Nível Superior, no Brasil:
GRÁFICO: Entrada de homens e mulheres em diferentes cursos de nível superior.
Fonte: Revista Nova Escola . Editora Abril. Ano XXVIII. Nº 266, outubro 2013. Retirado de: “Education at a Glance” Disponível em: <http://portal.inep.gov.br/estatisticas> Acesso em: 18 fev. 2014.

Gênero e etnia

Para que se respeitem as diferentes etnias existentes em nossas escolas, relacionadas aos índios, aos negros, aos “europeus”, e todos esses convergindo para a discriminação contra as mulheres, é preciso que se repense a metodologia sem ignorar que essas divergências existem e são culturalmente empregadas há décadas, senão séculos. É preciso que se introduza metodologia própria de cada cultura envolvida e que se busque a interação entre essas culturas, para que todos saibam como se dão os valores de cada cultura, para poderem respeitar as diferenças existentes em cada uma delas, com relação às outras. Já nos perguntamos por que têm afro-descendentes em todos os lugares do mundo? Os negros lutaram por sua liberdade, como raça, por mais de 400 anos. Os europeus foram à África levando quinquilharias e as trocavam por pessoas. Depois as levavam para as Américas e para a própria Europa, para vendê-las como escravos. Os homens eram requisitados nas lavouras e nas indústrias para o serviço pesado, enquanto as mulheres cuidavam dos serviços domésticos e mais leves, nem sempre, e muitas vezes eram vendidas para a prostituição. Aí também pode-se ver a questão do gênero e da etnia se misturando. A mulher sempre em segundo plano, mais fraca e mais objeto. A história da cultura africana e afro-brasileira é pouco ensinada nas escolas. Veja o gráfico:
GRÁFICO: Ensino da História Africana e Afro-brasileira em escolas públicas e privadas.
Fonte: Revista Nova Escola . Editora Abril. Ano XXVIII. Nº 268, p. 11. dez. 2013/ jan. 2014. Retirado de: “Pesquisa do Centro de Estudos das Relações do Trabalho e Desigualdades (Ceert) em parceria com Ministério da Educação (MEC) e a UNESCO”.

Gênero e relações raciais

            No nosso País, todos somos sujeitos da história, vivida tanto por brancos quanto por negros, ou índios. “A história interessa a todos [...], de acordo com o que diz Kabengele Munanga (In: Diversidade na educação: reflexões e experiências, 2003; apud: Programa Ética e Cidadania: construindo valores na escola e na sociedade: relações étnico-raciais e de gênero)  [...] independente de sua descendência, interessa ao negro e ao branco da mesma forma, pois como nos foi ensinada e é vista ainda hoje no material didático de nossos cursos, nos atinge o psicológico da mesma forma e com o mesmo dano”. Foi a reunião dos fatos vividos por uma ou por outra etnia que fez o País progredir e chegar ao que é hoje. Se houvesse apenas brancos, talvez fossemos como a Dinamarca: rica, desenvolvida e com um padrão ético tido como elevado. Se, por outro lado, fossemos apenas povoado por negros, quem sabe seríamos tal qual a Somália: atrasada, corrupta, miserável e faminta. Ou ainda, povoado por índios: estaríamos em guerra com nossos vizinhos por querermos preservar a natureza a todo custo e somente dela tirarmos nosso sustento, sem o desenvolvimento industrial, ao qual chegamos, em não sendo apenas esta ou aquela “raça”. Enfim, todos esses preconceitos e discriminações racistas, agridem o bom senso e ferem a dignidade dos envolvidos.

Gênero e sexualidade

            Além dessas misturas, tinha ainda a segregação feminina. A que tolhia as mulheres de liderarem grupos representativos e que buscavam poder e prestígio. Até nisso a mulher era “menorizada”, pois só conseguia estar à frente de “pequenos” trabalhos, de valores sociais talvez maiores, mas vistos pelos machistas de plantão como sem importância. Os livros didáticos são exemplos de sexismo, como já foi falado nos tópicos anteriores. As mulheres eram vistas mesmo é como objetos de satisfação. Elas tinham que dar prazer e não ordens. Usar a sua sexualidade para conseguirem, se quisessem, prestígio e poder, fama e dinheiro.

Gênero e orientação sexual

            Falar de orientação sexual implica em ser especialista em várias áreas do desenvolvimento humano, principalmente o psicológico. Porque orientação sexual é o modo como a pessoa se sente atraída por outra, e que hoje, existindo de maneira mais aberta a tendência homo afetiva, fica difícil para nós, leigos em psicologia e sexualismo, abordar o assunto com crianças ou jovens que supostamente estão menos preparados. Este assunto é como “campo minado”, principalmente se não tiver sido tratado em casa, onde as orientações sobre as normas morais são ensinadas desde cedo aos pequenos.

Fontes de consulta

Programa Ética e Cidadania: construindo valores na escola e na sociedade: relações étnico-raciais e de gênero. Elaboração: ARAÚJO, Ulisses F. et al. (Org.), FAFE – Fundação de Apoio à Faculdade de Educação (USP), Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Básica, 2007. 4 v. ISBN 978-85-98171-75-3.

Filme. O xadrez das cores. Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=ZfrSAmf-aeg>. Acesso em: 18 fev. 2014.

Filme. A rota do escravo. A alma da resistência. Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=HbreAbZhN4Q>. Acesso em: 18 fev. 2014.

Sitios pesquisados: http://www.generoracaetnia.org.br/ Acesso em: 18 fev. 2014.

Índices de percepção da corrupção. Disponível em: < http://pt.wikipedia.org/wiki/>. Acesso em: 18 fev. 2014.

Orientação sexual. Disponível em: < http://pt.wikipedia.org/wiki/Orienta%C3%A7%C3%A3o_sexual>. Acesso em: 18 fev. 2014.

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