O filme se passa no sertão do agreste nordestino e mostra a
saga feminina. Saga essa que é uma realidade em algumas regiões do Brasil. Uma
família pequena: Pai, mãe e filha, a Mª José, que vê seu sonho de aprender a
ler ser trocado pelo serviço braçal. Muito comum a poda de iniciativas
desenvolvimentistas, pois esclarecer-se significava ir embora. Deixar o lugar
em busca de outros sustentos que poderiam ser melhores que aqueles vividos por
gerações. O serviço que lhe cabia era o de “menor importância”, na sua infância
e sem forças ainda, ela varria o quintal e dava água aos bichos. A
discriminação do gênero vem de longa data e ali não era diferente, era
aprendido e repassado de geração em geração. O tempo foi passando e ela
cresceu, seu pai arrumou um ajudante, o Antônio, que logo se enamorou de Mª
José. Muito comum, também o ajudante ou capataz se enamorar da filha do patrão.
Muitas vezes eram parentes próximos e viviam até em promiscuidade, pelo fato de
morarem em casas de pau a pique, com cômodos separados apenas por trapos de
panos velhos.
O trabalho dela
continuava: varrer, carregar vasilhas de água, dar comida aos bichos e cozinhar,
e Maria cada vez mais crescida teria aprendido a fazer outras artes, como a da
geração de filhos. Casou-se com Antônio e tiveram muitos filhos, uns oito pelo
menos. A família ficou unida, sempre na mesma moradia, pobre e pequena, mas
cheia de vida. Maria, Antônio, seus nove filhos e os pais de Maria, todos
vivendo da mesma miséria. Vida pobre e sofrida, longe de tudo e de todos, entra
verão e sai verão, de sol a sol naquele marasmo. Dar comida aos animais,
varrer, buscar água e fazer filhos...até que a morte se encarregou da mãe de
Maria José e ela mais seu filhos, seu pai e seu marido, velaram a mãe ali mesmo
no quarto da casa, onde era também o costume, para depois enterrá-la em um
pequeno cemitério que deveria ter muito próximo dali, dentro das próprias
terras, como se fosse um cemitério particular onde se enterravam os mortos da
família há gerações.
Até que um dia
a cena se repetiu. Maria José, já em idade avançada, repreendeu sua filha,
Maria de Lourdes, quando esta estava à janela fazendo desenhos de seu nome em
um caderno. O mesmo caderno herdado de sua avó e que passou para todas as
Marias da família. Caderno onde se pôde ler os vários nomes das Marias que
nasceram nessa família e que pudemos comprovar a existência da hereditariedade
do analfabetismo e da submissão feminina no sertão nordestino. Nessa região
mais do que em outras regiões.
Não que ao sul ou sudeste não exista a
submissão e o desrespeito à mulher, mas é visto em menor grau ou maior disfarce
pelo fato de a cultura ser diferente. Mais proximidade entre zona rural e
grandes centros. Melhores índices de estrutura básica. Melhores e mais bem
aparelhadas escolas. Grandes centros universitários. Parques industriais que
absorvem mão de obra qualificada. Comércio hiper diversificado, etc. Tudo isso
leva aos estudos, à busca de conhecimentos, ao entendimento das leis e
aplicação das sanções aos que as infringem, e, conseqüentemente mais preparo
das pessoas, inclusive as mulheres, e essas são mais bem instruídas em seus direitos do que aquelas.
RAMOS, Márcio.Vida Maria. 2006. Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=OUYkei8cI6I> Acesso em: 7 fev. 2014
Depois de vermos o filme e analisarmos a letra da música do Milton Nascimento, podemos esperar que Maria seja algo além das forças normais, vivente de outros mundos, que sobrevive da garra que nem todas têm. Maria precisa ter raça, força e dom para suportar rindo o quê outros nem aguentariam, mesmo chorando. Na cor de sua pele, no suor de sua labuta, Maria vai se fortalecendo através da dor que sente, e por ter fé na vida, é que vai suportando todo o sofrimento e passando à sua prole o mesmo dom. Dom da dureza de aguentar o peso de suas obrigações, impostas a ela pela simples razão de ter nascido mulher, nordestina, pobre, parda e analfabeta.
RAMOS, Márcio.Vida Maria. 2006. Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=OUYkei8cI6I> Acesso em: 7 fev. 2014
Depois de vermos o filme e analisarmos a letra da música do Milton Nascimento, podemos esperar que Maria seja algo além das forças normais, vivente de outros mundos, que sobrevive da garra que nem todas têm. Maria precisa ter raça, força e dom para suportar rindo o quê outros nem aguentariam, mesmo chorando. Na cor de sua pele, no suor de sua labuta, Maria vai se fortalecendo através da dor que sente, e por ter fé na vida, é que vai suportando todo o sofrimento e passando à sua prole o mesmo dom. Dom da dureza de aguentar o peso de suas obrigações, impostas a ela pela simples razão de ter nascido mulher, nordestina, pobre, parda e analfabeta.
Mas essas atitudes estão mudando, as mulheres estão guerreiras e conscientes de seu lugar no planeta. Sabem que são tão capazes ou até melhores que os homens em determinados campos científicos. Em resposta a este filme, postei outro, (Uma Maria atual..."educalizada".) atual e que mostra como nós, pais e educadores, podemos contribuir e incentivar, diferente dos pais da Maria José (do filme), "nossas filhas" a buscarem e conquistarem o seu devido lugar de direito. Como disse um colega num outro fórum, "...somos todos iguais braços dados ou não..." citando Geraldo Vandré.
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