sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Tecnologias Interativas

INTRODUÇÃO
O texto se refere às interações dos mundos real e virtual, tanto psicológicas quanto tecnológicas, na visão de José Manuel Moran. Fala da participação e do controle que as novas mídias aplicam à sociedade através da internet buscando uma maior participação de todos no uso das mídias eletrônicas. Fala de experiências sensoriais limitadas e anônimas através da rede de computadores, onde usuários ocupam um mesmo nível de interação, porém sem limites temporais ou espaciais. As interações tecnológicas são apontadas como positivas na maior parte dos afazeres humanos coletivos, mas também mostra o lado negativo que torna o indivíduo menos atento, um pouco mais vulnerável. Tem também os que buscam o lucro fácil através de golpes e as empresas capitalistas sérias que vislumbram um alcance maior de consumidores de seus produtos. Torna também, uma parcela significativa de pessoas mais acomodadas pela facilidade das interações sem a necessidade de sair de sua zona de conforto. O leque de possibilidades de interações também é apontado pelo autor, citando como ponto positivo o aumento do nível cultural das pessoas. Mostra também que o acesso à informação é mais rápido entre as pessoas conectadas de qualquer lugar para fins de trabalho, lazer ou simplesmente comunicação. Exalta o uso da televisão como uma mídia de interação entre telespectadores e emissores que farão, num curto espaço de tempo vindouro, a mais popular maneira de se conectar para se comunicar com as pessoas numa internet sem limites.
RESENHA COMENTADA
            Fácil perceber que se está vivendo em tempos de grandes escolhas e oportunidades na área da comunicação. Passaram-se décadas desde que se iniciou esta revolução tecnológica e pode-se ver que ainda há muito mais possibilidades de uso do que o uso propriamente dito. Mudaram os meios, as “ferramentas” tecnológicas ficaram mais baratas, a tecnologia ficou mais acessível e a interoperabilidade flui em todos os campos, desde entretenimento até pesquisas científicas (claro que reservadas as suas particularidades e proporções). Hoje, as pessoas estão mais ligadas em tecnologia e a usam para o lazer, para trabalhar, fazer negócios, consultar investimentos, como também, simplesmente para a comunicação.
Espaço e tempo não existem mais como eram nos anos de 1990. As pessoas querem resolver tudo pelo uso da tecnologia, elas não querem mais, ter que sair de suas confortáveis cadeiras (home Office). Imaginem se os computadores pessoais tivessem pernas e livre arbítrio, eles dominariam os humanos com muita facilidade. O que era ficção científica há 20 ou 30 anos, hoje é quase 100% realidade. O problema é jogar tudo na “conta” da tecnologia e achar que se vão resolver todas as mazelas sociais e econômicas, simplesmente facilitando o acesso à tecnologia. Isso é pura quimera.
O autor (Moran) cita um crítico (Neil Postman) desta tecnologia que escreve sobre “soluções à procura de problemas” e de pessoas isoladas e alienadas de suas vidas egocêntricas e enclausuradas. Se por um lado uma parcela das pessoas veem soluções, por outro, só se veem problemas e ficar criticando radicalmente ou se deslumbrando totalmente não vai lhes ajudar a encontrarem o meio termo. O obsoletismo e a miniaturização são duas das principais características da nova era tecnológica a qual estamos vivenciando e o uso indiscriminado dela, pela sociedade, se torna quase obrigatório depois da fase de resistência de alguns incrédulos e renitentes cidadãos. Até o capitalismo mudou! Os grandes grupos, de fomento tecnológico, disponibilizam os seus produtos de maneira a ninguém ficar de fora do “boom” social, dos grupos de bate papo, das salas de vídeo game, dos chats e das escolas virtuais. As pesquisas são voltadas para descobrir o que se está querendo (nichos de mercado) de interesse coletivo e pronto; desenvolve-se e distribui-se! Hoje, os bens de consumo e os maiores geradores de riquezas são virtuais, cibernéticos. Empresas que operam na grande rede e detém GIGA bytes de informações em bancos de dados são vendidas por milhões de dólares. O bem mais precioso da atual sociedade é a informação. Quanto mais exclusiva e de maior mobilidade, será tanto mais valiosa. Tem que usar todas essas tecnologias de maneira a se tornarem nossas extensões. Mas com cuidado, porque da mesma maneira que seduzem, elas escravizam. Cabe a cada um decidir o seu uso. Do quadro negro do professor transformado em data show (filmes e apresentações de slides), da enciclopédia “Delta Larousse” virtualizada em “Wikipédia” ou Google (pesquisas instantâneas com hyperlinks), do Atlas Geográfico ao instantâneo “Google maps” (mapas em 3D), do telescópio astronômico ao software Stellarium, ou Sky Map (usado instantaneamente em celulares), etc.
Claramente discutido é o que se faz com o uso da internet, esse livro sem capa que abre inúmeras portas para todos os tipos de mente. Se as pessoas eram acostumadas a pesquisar em livros, jornais e revistas, elas procurarão na rede essas mesmas informações, de maneira mais fácil, rápida e poderão ainda filtrar o que procuram, sem perder tempo em função de motores de busca. Se elas gostavam de fliperamas ou snooker, facilmente poderão baixar simuladores e jogos com resolução gráfica 3D de dar inveja aos ambientes reais. Podem, inclusive, manterem seus grupos de amigos de antes e jogarem os mesmos jogos conectados em rede usando seus aparelhos celulares ou computadores pessoais, hoje miniaturizados em forma de tablets e notebooks.
Outra discussão na obra é o uso acentuado das atuais mídias para se comunicarem, das quais são citadas: sons, imagens, e textos que integram mensagens e as tecnologias multimídia. São estas usadas para fins de estudos, lazer, trabalho e comércio simultaneamente e convergindo entre si, de maneira que a tela do PC ou smartphone serve tanto para brincar quanto trabalhar ou participar de uma web conferência ou debate. O sensoriamento remoto, a multidimensionalidade e a não linearidade das interações são hoje, muito mais atraentes das que existiam há anos atrás. Pensem num texto com som, numa imagem que ao se clicar no seu link, se vai para outro canto do planeta, instantaneamente dentro do mesmo contexto. Um texto que muitos podem alterar com a facilidade dos editores de textos, fazerem cópias, complementarem a ideia e disseminarem o conhecimento. Um verdadeiro big brother interativo.
CONCLUSÃO
Estudantes acadêmicos, como futuros professores, têm que se posicionar de forma ética e inovadora, sempre buscando o melhor destas tecnologias para agregar os mais diversos saberes aos seus futuros aprendizes. Deverão estar atualizados com as mídias e trazê-las para as suas práticas, como recursos importantes no ensino e na aprendizagem de seus alunos, a fim de formarem cidadãos capazes e, ao mesmo tempo críticos e colaborativos e que pensem na coletividade mais do que no individualismo; que saibam fazer uso consciente e moral, respeitoso e honesto, dentro da legalidade e com alto grau de civilidade.

Mesmo com todo avanço nas tecnologias de comunicação e nos constantes aprimoramentos dos hardwares e softwares, combatentes da exclusão social e usados desde o início em cursos de ensino à distância, o quê realmente contou e conta como marco evolutivo deste meio de ensino-aprendizagem, foram, a liberação e as melhorias vertiginosas dos canais de comunicação em massa – diga-se internet – e com ela, todo o resto que se conecte entre emissor e receptor, na intenção de se qualificar ou apenas aprender algo ou se especializar em alguma área, quer seja didática, tecnológica ou de serviços.
REFERÊNCIA

MORAN, José Manuel. Tecnologias de comunicação e interação. Programa de Formação Continuada em Mídias na Educação. Biblioteca Digital. Unidade I. Disponível em: <http://www.graduacao.cear.ueg.br/mod/folder/view.php?id=79197 >

AUTOR
O autor do artigo é José Manuel Moran. Graduado em Filosofia pela Faculdade Nossa Senhora Medianeira em 1971; Mestrado em 1982 e Doutorado em 1987 pela Universidade de São Paulo – USP – na área de Ciências da Comunicação. Professor aposentado pela USP na disciplina de Novas Tecnologias. Pesquisador, Conferencista e Orientador de Projetos Educacionais Inovadores com metodologias ativas nas modalidades: presencial e à distância.
OBRAS DO AUTOR
  • ·         Leituras dos Meios de Comunicação. Pancast, 1993.
  • ·         Mudanças na Comunicação Pessoal: gerenciamento integrado da comunicação pessoal, social e tecnológica. Paulinas, 2000. 192 p.
  • ·         Novas tecnologias e mediação pedagógica. Campinas: Papirus, 2000.
  • Aprendendo a Viver – Caminhos para a Realização Plena. Paulinas, 2002