INTRODUÇÃO
O
texto se refere às interações dos mundos real e virtual, tanto psicológicas
quanto tecnológicas, na visão de José Manuel Moran. Fala da participação e do
controle que as novas mídias aplicam à sociedade através da internet buscando
uma maior participação de todos no uso das mídias eletrônicas. Fala de
experiências sensoriais limitadas e anônimas através da rede de computadores,
onde usuários ocupam um mesmo nível de interação, porém sem limites temporais
ou espaciais. As interações tecnológicas são apontadas como positivas na maior
parte dos afazeres humanos coletivos, mas também mostra o lado negativo que
torna o indivíduo menos atento, um pouco mais vulnerável. Tem também os que
buscam o lucro fácil através de golpes e as empresas capitalistas sérias que
vislumbram um alcance maior de consumidores de seus produtos. Torna também, uma
parcela significativa de pessoas mais acomodadas pela facilidade das interações
sem a necessidade de sair de sua zona de conforto. O leque de possibilidades de
interações também é apontado pelo autor, citando como ponto positivo o aumento
do nível cultural das pessoas. Mostra também que o acesso à informação é mais
rápido entre as pessoas conectadas de qualquer lugar para fins de trabalho,
lazer ou simplesmente comunicação. Exalta o uso da televisão como uma mídia de
interação entre telespectadores e emissores que farão, num curto espaço de
tempo vindouro, a mais popular maneira de se conectar para se comunicar com as
pessoas numa internet sem limites.
RESENHA
COMENTADA
Fácil perceber que se está vivendo em tempos de grandes
escolhas e oportunidades na área da comunicação. Passaram-se décadas desde que
se iniciou esta revolução tecnológica e pode-se ver que ainda há muito mais
possibilidades de uso do que o uso propriamente dito. Mudaram os meios, as “ferramentas”
tecnológicas ficaram mais baratas, a tecnologia ficou mais acessível e a
interoperabilidade flui em todos os campos, desde entretenimento até pesquisas
científicas (claro que reservadas as suas particularidades e proporções). Hoje,
as pessoas estão mais ligadas em tecnologia e a usam para o lazer, para
trabalhar, fazer negócios, consultar investimentos, como também, simplesmente
para a comunicação.
Espaço e tempo não existem mais como eram nos
anos de 1990. As pessoas querem resolver tudo pelo uso da tecnologia, elas não
querem mais, ter que sair de suas confortáveis cadeiras (home Office). Imaginem se os computadores pessoais tivessem pernas
e livre arbítrio, eles dominariam os humanos com muita facilidade. O que era
ficção científica há 20 ou 30 anos, hoje é quase 100% realidade. O problema é
jogar tudo na “conta” da tecnologia e achar que se vão resolver todas as
mazelas sociais e econômicas, simplesmente facilitando o acesso à tecnologia.
Isso é pura quimera.
O autor (Moran) cita um crítico (Neil Postman) desta tecnologia que
escreve sobre “soluções à procura de problemas” e de pessoas isoladas e
alienadas de suas vidas egocêntricas e enclausuradas. Se por um lado uma
parcela das pessoas veem soluções, por outro, só se veem problemas e ficar
criticando radicalmente ou se deslumbrando totalmente não vai lhes ajudar a
encontrarem o meio termo. O obsoletismo e a miniaturização são duas das
principais características da nova era tecnológica a qual estamos vivenciando e
o uso indiscriminado dela, pela sociedade, se torna quase obrigatório depois da
fase de resistência de alguns incrédulos e renitentes cidadãos. Até o
capitalismo mudou! Os grandes grupos, de fomento tecnológico, disponibilizam os
seus produtos de maneira a ninguém ficar de fora do “boom” social, dos grupos de bate papo, das salas de vídeo game, dos chats e das escolas virtuais. As pesquisas são voltadas para
descobrir o que se está querendo (nichos de mercado) de interesse coletivo e
pronto; desenvolve-se e distribui-se! Hoje, os bens de consumo e os maiores
geradores de riquezas são virtuais, cibernéticos. Empresas que operam na grande
rede e detém GIGA bytes de
informações em bancos de dados são vendidas por milhões de dólares. O bem mais
precioso da atual sociedade é a informação. Quanto mais exclusiva e de maior
mobilidade, será tanto mais valiosa. Tem que usar todas essas tecnologias de
maneira a se tornarem nossas extensões. Mas com cuidado, porque da mesma
maneira que seduzem, elas escravizam. Cabe a cada um decidir o seu uso. Do
quadro negro do professor transformado em data
show (filmes e apresentações de slides),
da enciclopédia “Delta Larousse”
virtualizada em “Wikipédia” ou Google (pesquisas instantâneas com hyperlinks), do Atlas Geográfico ao
instantâneo “Google maps” (mapas em
3D), do telescópio astronômico ao software
Stellarium, ou Sky Map (usado
instantaneamente em celulares), etc.
Claramente discutido é o que se faz com o uso
da internet, esse livro sem capa que
abre inúmeras portas para todos os tipos de mente. Se as pessoas eram
acostumadas a pesquisar em livros, jornais e revistas, elas procurarão na rede
essas mesmas informações, de maneira mais fácil, rápida e poderão ainda filtrar
o que procuram, sem perder tempo em função de motores de busca. Se elas
gostavam de fliperamas ou snooker,
facilmente poderão baixar simuladores e jogos com resolução gráfica 3D de dar
inveja aos ambientes reais. Podem, inclusive, manterem seus grupos de amigos de
antes e jogarem os mesmos jogos conectados em rede usando seus aparelhos
celulares ou computadores pessoais, hoje miniaturizados em forma de tablets e notebooks.
Outra discussão na obra é o uso acentuado das
atuais mídias para se comunicarem, das quais são citadas: sons, imagens, e
textos que integram mensagens e as tecnologias multimídia. São estas usadas
para fins de estudos, lazer, trabalho e comércio simultaneamente e convergindo
entre si, de maneira que a tela do PC ou smartphone
serve tanto para brincar quanto trabalhar ou participar de uma web conferência ou debate. O
sensoriamento remoto, a multidimensionalidade e a não linearidade das
interações são hoje, muito mais atraentes das que existiam há anos atrás.
Pensem num texto com som, numa imagem que ao se clicar no seu link, se vai para outro canto do
planeta, instantaneamente dentro do mesmo contexto. Um texto que muitos podem
alterar com a facilidade dos editores de textos, fazerem cópias, complementarem
a ideia e disseminarem o conhecimento. Um verdadeiro big brother interativo.
CONCLUSÃO
Estudantes
acadêmicos, como futuros professores, têm que se posicionar de forma ética e
inovadora, sempre buscando o melhor destas tecnologias para agregar os mais
diversos saberes aos seus futuros aprendizes. Deverão estar atualizados com as
mídias e trazê-las para as suas práticas, como recursos importantes no ensino e
na aprendizagem de seus alunos, a fim de formarem cidadãos capazes e, ao mesmo
tempo críticos e colaborativos e que pensem na coletividade mais do que no
individualismo; que saibam fazer uso consciente e moral, respeitoso e honesto,
dentro da legalidade e com alto grau de civilidade.
Mesmo
com todo avanço nas tecnologias de comunicação e nos constantes aprimoramentos
dos hardwares e softwares, combatentes da exclusão social e usados desde o início
em cursos de ensino à distância, o quê realmente contou e conta como marco
evolutivo deste meio de ensino-aprendizagem, foram, a liberação e as melhorias
vertiginosas dos canais de comunicação em massa – diga-se internet – e com ela, todo o resto que se conecte entre emissor e
receptor, na intenção de se qualificar ou apenas aprender algo ou se
especializar em alguma área, quer seja didática, tecnológica ou de serviços.
REFERÊNCIA
MORAN, José Manuel. Tecnologias de comunicação e interação.
Programa de Formação Continuada em Mídias na Educação. Biblioteca Digital.
Unidade I. Disponível em:
<http://www.graduacao.cear.ueg.br/mod/folder/view.php?id=79197 >
AUTOR
O
autor do artigo é José Manuel Moran. Graduado em Filosofia pela Faculdade Nossa
Senhora Medianeira em 1971; Mestrado em 1982 e Doutorado em 1987 pela
Universidade de São Paulo – USP – na área de Ciências da Comunicação. Professor
aposentado pela USP na disciplina de Novas Tecnologias. Pesquisador,
Conferencista e Orientador de Projetos Educacionais Inovadores com metodologias
ativas nas modalidades: presencial e à distância.
OBRAS DO AUTOR
- · Leituras dos Meios de Comunicação. Pancast, 1993.
- · Mudanças na Comunicação Pessoal: gerenciamento integrado da comunicação pessoal, social e tecnológica. Paulinas, 2000. 192 p.
- · Novas tecnologias e mediação pedagógica. Campinas: Papirus, 2000.
- Aprendendo a Viver – Caminhos para a Realização Plena. Paulinas, 2002
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