MEU PROJETO

  1. TEMA: XADREZ NA ESCOLA
O xadrez é a ginástica da inteligência e a pedra de toque do intelecto.” (Goethe, 1749-1832)
A intervenção foi proposta pela diretora da escola quando da apresentação para o estágio. Ela relatou e foi comprovado mais tarde, pela diagnose da escola que a indisciplina, a falta de atenção, entre outros fatores estão ligados ao alto índice de notas baixas e desistência de estudantes naquela instituição. Com a experiência em ensinar xadrez1, foi sugerido a intervenção nas turmas que ela apontasse como sendo as mais problemáticas, tendo em vista que o xadrez, se bem assimilado, ajuda muito na parte disciplinar e no controle emocional, bem como nas áreas cognitivas dos estudantes. Não podemos garantir o sucesso da intervenção, pois é de cunho pessoal e o interesse depende do aluno. Tendo em vista que o projeto é para melhorar o nível de interação entre alunos e professores na contextualização das disciplinas e, considerando o uso da computação, pode-se chegar a bom termo, usando-se para isso aulas de xadrez pedagógico, ministradas com ajuda de programas e redes computacionais, o que é preconizado pelo currículo da Licenciatura em Computação (LC) e do Estágio Supervisionado I (ES I).
Numa das leituras feitas é possível ler o que escreve o bolsista Mario César Reis Arantes, da Universidade Federal de Alfenas (UniFAl), sobre um projeto que é considerado pelos educadores como sendo pluridisciplinar:
O projeto colabora com o desenvolvimento cognitivo das crianças. O jogo proporciona muitos benefícios, pois é abrangente. Quando se apresenta a história do jogo e sua origem, estuda-se a geografia. As possibilidades das inúmeras jogadas relacionam-se à matemática. Os benefícios morais e éticos que o jogo proporciona são de grande relevância para as crianças, tais como: o respeito mútuo, a autonomia, a tolerância, o espírito de competição, o sentimento de vitória e de derrota, conhecer e reconhecer o ponto de vista do outro. As inúmeras jogadas e possibilidades fazem com que as crianças exercitem o imaginário, o trabalho, a inteligência, confirmando-se a frase que abre o Projeto: “O xadrez é a ginástica da inteligência” (GOETHE, 1876). Por meio do jogo as crianças passam de uma reflexão primeira (imediata) à uma reflexão mais elaborada (repensada), pois o jogo força o raciocínio por meio das supostas jogadas analisadas pelas crianças. (Disponível em: <http://www.unifal-mg.edu.br/icsa/xadrez>. Acesso em: 29 out. 2015).
A proposta do projeto é levar aos estudantes que se iniciarem na prática enxadrística que uma simples ideia, resposta ou ação, pode muitas vezes trazer à luz solução para problemas aparentemente complexos, e ainda, o desenvolvimento do intelecto, a formação cidadã, a atitude ética, a humildade e a disciplina; desenvolvendo o emocional e favorecendo a concentração e a memória.
Pretende-se alcançar o maior número de estudantes dos ensinos Fundamental (EF) e Médio (EM), de 7 a 17 anos, como também dos segmentos Educação de Jovens e Adultos (EJA) e Alunos Especiais (AE), principalmente os que se encontrem em: situação de fragilidade social, déficit de atenção, dificuldades nos relacionamentos extraescola e interpessoais, distúrbios na comunicação, baixa autoestima, baixo rendimento escolar, etc., não se excluindo nenhum interessado: estudante, professor, servidor ou pessoas da comunidade escolar campo, onde este projeto está sendo implantado como sendo intervenção e parte do ES-I do curso de LC.
Mais uma vez pode-se ver o que escreve o bolsista Mario César Reis Arantes, da UniFAl, sobre o jogo do xadrez na escola:
O projeto de xadrez nas escolas tem como objetivo centrar o aluno e ‘convidá-lo’ de uma forma sutil a trabalhar sua mente, forçando-a a pensar e consequentemente amadurecê-la. Por meio do jogo, o campo imaginário da criança é ativado, fazendo-a refletir e repensar. A educação é um mecanismo de avanço gradual, e formas de ensino devem ser repensadas para enfrentamento dos desafios oriundos da globalização. A adoção do jogo nas escolas propicia o desenvolvimento da aprendizagem e é medida que personaliza o direito social à educação. O objetivo do projeto é a utilização do jogo de xadrez como instrumento pedagógico e social, visando auxiliar o desenvolvimento escolar dos alunos envolvidos no projeto. (Disponível em: <http://www.unifal-mg.edu.br/icsa/xadrez>. Acesso em: 29 out. 2015).
Sabe-se que existem muitas lendas sobre a origem do jogo de xadrez, porém os mais fortes indícios arqueológicos reportam ao noroeste indiano.
Indiscutíveis são os benefícios que este jogo milenar, de arte e lógica com regras de movimentação que mais parecem passos de dança, trazem para a mente daqueles que o praticam. Tão complexo quanto o sistema curricular educacional que contextualiza disciplinas tão distintas, mas que se complementam quando do entendimento de seus conceitos específicos, que as suas jogadas mesmo ao acaso ou despropositadas acabam por se mostrarem conexas e complementares, umas indo em direção às peças adversárias e, outras, indo ao auxílio de suas próprias peças, como se pudessem ser jogadas ao acaso, sem a devida análise da situação.
  1. INTRODUÇÃO: JOGO DE XADREZ COMO FERRAMENTA DIDÁTICA
Ensina a criança no caminho em que deve andar, e, ainda quando for velho, não se desviará dele.” (Provérbios, 22:6)

Este projeto tem como finalidades o aprendizado das regras básicas do jogo de xadrez e o posterior desenvolvimento dos interessados, para que se tornem multiplicadores da ideia e, que passarão a ser monitorados e assistidos por professor mediador, nesse caso o autor deste, em oficinas de aprendizado e salas de jogos, via web e/ou em espaços disponibilizados pela escola.
O projeto partiu da necessidade de centrar o aluno, buscando o que visa o Projeto Político e Pedagógico (PPP) da escola, em torná-la mais eficiente, mais dinâmica e mais atenta às necessidades dos novos tempos.
A proposta partiu de conversa entre o autor e a atual gestora, Sra. Maria do Socorro da Silva de Jesus, que de imediato abraçou a causa, tendo em vista o que foi relatado pela mesma, em relação à falta de disciplina e atenção às aulas, bem como o alto índice de reprovação ou desistência, ocorridos no semestre e anos anteriores, conforme demonstrado na Ficha Diagnose da Escola.
Depois da apresentação da proposta, a escola prontamente comprou quinze (15) jogos, em caixas de madeira dobrável, que já estão sendo usados regularmente, pela manhã, na turma do EF I – 2º ano B2 e pela turma do EJA3, em todas as séries à noite.
O projeto conta ainda com um mural magnético, relógio de marcação de tempo, um tabuleiro de material maleável (napa, medindo 5cm x 5cm) e jogo de peças tamanho oficial, para uso do professor monitor; mais três (3) jogos de peças e tabuleiros de papel cartão, tamanho oficial4, que foram emprestados pelo professor de outra escola (CEF 418 – Santa Maria, DF) onde existem projetos de xadrez semelhantes a este.
Como não poderia deixar de citar nesta apresentação, os dezoito (18) computadores do laboratório de informática da escola foram roubados5. Não se sabe ao certo, quando a escola receberá outros equipamentos para suprir a falta dos anteriores, porém, já se cogita pedir doações a empresas e nas redes sociais. Outra citação feita, trata-se do texto em epígrafe, que foi retirado do PPP da escola.
  1. OBJETIVO GERAL
O xadrez é como a vida, deve-se pensar primeiro e depois atuar.” (H. Arévalo)

Desenvolver e estimular o raciocínio lógico-matemático através do xadrez, promover a reflexão sobre as escolhas (os lances) a serem feitas ou os reveses que se sofre na vida e contribuir para a formação integral do estudante.

  1. OBJETIVOS ESPECÍFICOS
O xadrez é um oceano onde um mosquito pode beber e um elefante se afogar.” (Provérbio russo)

  1. Promover a cultura do xadrez entre a comunidade escolar;
  2. Estudar e desenvolver as estratégias para se conquistar e se manter posições táticas no jogo;
  3. Registrar, analisar e recriar estratégias de jogo, através do recurso da anotação;
  4. Estimular a capacidade de fazer escolhas certas diante dos problemas fictícios ou reais;
  5. Estimular a escolha de metas reais no âmbito do sucesso escolar, da carreira profissional, da felicidade pessoal e familiar;
  6. Listar e ordenar os passos que devem ser dados resolutamente para se alcançar cada meta;
  7. Estimular a oralidade e a liderança;
  8. Socializar-se com outros colegas aprendizes;
  9. Desenvolver a ética e o respeito ao adversário;
  10. Integrar alunos repetentes e alunos em vulnerabilidade social;
  11. Estimular a disciplina e a concentração;
  12. Desenvolver a paciência, a tranquilidade e a cordialidade;
  13. Diminuir a agitação nos recreios da escola;
  14. Criar momentos lúdicos;
  15. Participar de torneios internos e externos;
  16. Promover o aprendizado da matemática, através do xadrez pedagógico;
  17. Auxiliar na formação de atletas enxadristas;
  18. Promover o bem estar geral no ambiente escolar.

  1. JUSTIFICATIVA
O xadrez é um jogo pela forma, uma arte pelo conteúdo e uma ciência pela dificuldade.” (GMI Tigran Petrosian, 1929-1984)

A aplicação deste projeto se justifica pelo que já foi alcançado em diversas escolas de outros Estados brasileiros e em pesquisas internacionais a respeito do exercício mental que o xadrez desenvolve nas pessoas que o praticam.
As crianças, principalmente, por estarem em fase de desenvolvimento e formação de caráter, beneficiam-se muito com a prática sistematizada do jogo, que não deve ser considerado apenas como passatempo em horário de intervalos escolares, e sim, adequado à realidade que envolve os alunos dentro e fora da escola, seja para entender e resolver um problema matemático, fazer uma pesquisa histórica e trabalhos de geografia ou lidar com suas emoções e conflitos pessoais.
Outras questões que se levantam com a prática do xadrez em comunidades escolares são: os benefícios visíveis na área de memorização e no aumento da concentração, nas percepções cognitivas e nas responsabilidades sociais, na cordialidade e no respeito, no comprometimento e na disciplina, na ética e na autoestima, etc.

  1. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
A arte mais relevante no xadrez é não permitir que nosso adversário demonstre tudo aquilo que é capaz de jogar.” (GMI Garry Kasparov, 1963-)

  1. Em seu Artigo no Periódico Motrivivência da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), a pesquisadora Rosângela Veloso (2008. p. 2) escreve que “o Jogo de xadrez é um instrumento pedagógico lúdico e potencializa o ensino-aprendizagem dialógico, empático e impulsionador das competências e habilidades de forma interativa, envolvente, autônoma, com participação qualitativa dos sujeitos da comunidade escolar.” Conta também que “em seu aspecto formal, o jogo de xadrez tem sido utilizado para estudar a memória, a linguagem, a lógica, a inteligência; abarca igualmente a arte, devido ao impacto e valor estético, desafia a criatividade; também o esporte, por envolver adversários sob regras previamente definidas e, mais atualmente vem despontando como uma ferramenta poderosa de aprendizado na educação básica e superior.”
  2. Estudiosos do Xadrez como Sá (2007) e Rezende (2002; 2007) citados por FADEL e MATA (2008. p. 2-9) em seu trabalho de pesquisa, “consideram que a inclusão de atividades enxadrísticas no contexto escolar é uma das possibilidades do aluno desenvolver competências e habilidades que alargam sua capacidade de percepção em relação ao binômio espaço-tempo, bem como o exercício da paciência, da tolerância, da perseverança e do autocontrole”. Nos mostra, ainda, que estudiosos do Xadrez como Sá (2007), Silva (2002a) e Rezende (2002) “sugerem que o ensino e a prática do Xadrez sejam incluídos como conteúdo escolar, e defendem que a prática enxadrística quando utilizada como instrumento pedagógico, pode trazer benefícios sócio-educativos, tanto por provocar o exercício da sociabilidade, como o trabalho da memória, a autoconfiança e a organização metódica e estratégica do estudo.”
  3. Veloso-Silva (2009. p.18-19) comenta sobre a formação e conhecimentos acerca do professor mediador, cujo papel é fundamental no processo de formação inovadora, para que as novas demandas e as necessidades cognitivas, sociais e afetivas dos alunos possam ser atendidas. Ela diz o seguinte: “Nesse aspecto, apresentamos o jogo de xadrez como forma de proporcionar aos alunos um maior desenvolvimento intelectual e social, ou seja, um maior desenvolvimento pessoal e cooperativo”. E completa: “Com essa ótica, o ensino do xadrez transcende o próprio jogo. Este passa a ser um suporte pedagógico para colaborar na formação pessoal, social e acadêmica dos alunos, sempre procurando a interação dele, o jogo de xadrez, com a estrutura curricular estabelecida na escola”. Mas, lembra que “Os cuidados com o planejamento didático pedagógico, com a infraestrutura para o desenvolvimento do ensino do xadrez e com a responsabilidade social da escola em utilizar o jogo de xadrez como um vetor de atuação comunitária poderá criar situações de (trans) formação no ensino”, e diz ainda que estas situações “merecem ser pesquisadas.”

  1. AVALIAÇÃO
Uma vez terminado o jogo, o rei e o peão voltam à mesma caixa.” (Provérbio italiano)

Dar-se-á continuamente:
  1. Observando-se as produções feitas pelos alunos em cada momento do programa de ensino;
  2. Observando-se o desempenho geral dos mesmos quanto à postura do estudante no que diz respeito à disciplina, à organização e ao aprendizado das matérias escolares;
  3. Através da entrega do portfólio que traz os registros de toda evolução do aluno dentro do xadrez: fotos, produções, anotações de partidas, contagens de vitórias e derrotas, o ranking da escola, relatos e outros;
  4. Através da distribuição de prêmios de participação e entrega solene de medalhas e troféus.

  1. METODOLOGIA
O xadrez, assim como o amor ou a música, tem o poder de nos fazer feliz.” (Siegbert Tarrasch, 1862-1934)

  1. Dispondo permanentemente jogos de xadrez em diferentes espaços escolares: sala dos professores, biblioteca, bancos e mesas do pátio;
  2. Promovendo o aprendizado do xadrez entre os professores e demais funcionários da escola;
  3. Promovendo encontros de xadrez para a comunidade escolar;
  4. Treinando alunos monitores (para organizar jogos, auxiliar no zelo do material e ensinar novos alunos);
  5. Adquirindo ou confeccionando o próprio jogo;
  6. Recriando e analisando partidas anotadas;
  7. Relacionando o xadrez com a própria vida na resolução de desafios impostos como as drogas, a marginalização, o mercado de trabalho, a hora certa das tarefas de casa, a disciplina, etc.;
  8. Promovendo jogos no horário oposto ao das aulas dos alunos;
  9. Disseminando a ideia de que quem deseja ser um bom enxadrista deve procurar também ser um bom aluno;
  10. Formando grupos para jogos e pesquisas; trocando constantemente seus componentes (fortes com fracos, experientes com iniciantes, regulares com especiais.);
  11. Organizando campeonatos internos e participando de campeonatos externos;
  12. Confeccionando portfólio individual para registro da evolução no xadrez;
  13. Usando o computador com softwares específicos;
  14. Criando o ranking escolar para posterior premiação;
  15. Executando o programa de ensino.

  1. REFERÊNCIAS

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS – ABNT. NBR 14724: Informação e documentação: Trabalhos acadêmicos: Apresentação. 3ª ed. Rio de Janeiro: ABNT, 2011. 11p.

FADEL, J. G. R.; MATA, V. A. da. O xadrez como atividade complementar na escola: uma possibilidade de utilização do jogo como instrumento pedagógico. In: Secretaria de Estado da Educação do Estado do Paraná/Superintendência de Educação/Diretoria de Políticas e Programas Educacionais/Programa de Desenvolvimento Educacional. 2008.

MACIEL, Cristiano. A internet como ferramenta educacional. Cuiabá: UFMT/UAB, 2009.

MANZANO, Antonio López; GONZÁLEZ, José Monedero. O Xadrez dos Grandes Mestres: 400 conselhos para melhorar seu nível enxadrístico. Porto Alegre: Artmed, 2002.

VELOSO-SILVA, Rosângela R. O Jogo de Xadrez como Recurso Didático-Pedagógico nas Aulas de Educação Física. Motrivivência. Ano XX, nº 31, p. 19-35. Dez./2008. Disponível em: <https://periodicos.ufsc.br/index.php/motrivivencia> . Acesso em: 12 out. 2015.

________. Práticas pedagógicas no ensino-aprendizado do jogo de xadrez em escolas. 2009. 142 p. Dissertação (Mestrado em Educação) – Faculdade de Educação Universidade de Brasília, Brasília, 2009.
Xadrez na escola: um instrumento pluridisciplinar. Disponível em: <http://www.unifal-mg.edu.br/icsa/xadrez.> Acesso em: 29 out. 2015.
  1. ANEXO A
FOTOS

FOTO 1 - Estagiário no desempenho do projeto de intervenção, fazendo apresentação das peças, dos movimentos e das regras básicas do jogo de Xadrez.

 FOTO 2 - Alunos do 2º ano B, da manhã, em uma aula de intervenção usando o jogo de Xadrez.

FOTO 3 - Alunos e o professor Gilmar, regente da disciplina de Geografia da turma da 6ª série do EJA I em treinamento e aprendizado do jogo de Xadrez.

Foto 4 - Mural magnético, jogos de peças plásticas em tabuleiros-caixas de madeira pequenos
e tabuleiros de papel-cartão tamanho oficial.

Foto 5 - Bancadas do laboratório de informática momentos depois que os computadores
foram roubados.

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