domingo, 28 de fevereiro de 2016

DESTINAÇÃO DO LIXO ELETRÔNICO


            Tramitou durante 20 anos no Congresso Nacional brasileiro, depois de ocorrerem várias catástrofes ambientais mundo afora, e o Brasil ter um dos polos industriais mais poluídos do planeta (Cubatão-SP, em 1980) a Lei 12.305/2010 que instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos - PNRS; altera a Lei 9.605/1998 e dá outras providências em relação às atividades consideradas lesivas ao meio ambiente, como sanções penais e administrativas. Primeiramente, a PNRS trata dos “princípios, objetivos e instrumentos, bem como traça as diretrizes sobre gestão e gerenciamento dos resíduos sólidos e perigosos” (BRASIL, 2010), que venham a contaminar o meio ambiente ao serem descartados de forma irresponsável e sem o devido tratamento. Mesmo que todas as providências tenham sido tomadas em relação ao descarte, se algo acontecer ao meio ambiente, a Lei prevê sanções sob a responsabilidade compartilhada a quem causar o dano. Entende-se por
responsabilidade compartilhada ao conjunto de atribuições individualizadas e encadeadas dos fabricantes, importadores, distribuidores, comerciantes, consumidores e dos titulares dos serviços públicos de limpeza urbana e de manejo dos resíduos sólidos. (BRASIL, 2010, texto digital).
Como consta na nossa Constituição Federal de 1988, ninguém está acima das Leis e disso entende-se que tanto o cidadão comum, as empresas privadas, as empresas públicas e os Governos em suas três instâncias, devem respeitar e ser subjugados pelas leis do País, e o que será tratado aqui, não será a Lei, mas sim, o âmbito e as consequências que ela aborda.
Não importa que nome se dê ao assunto: resíduos tecnológicos, resíduos eletroeletrônicos, lixo computacional, lixo eletrônico, etc., os problemas que se irão enfrentar serão tanto piores, quanto mais adiado forem o cumprimento e a observância das leis que terão que ser impostas aos fabricantes e aos usuários de equipamentos eletro eletrônicos que; depois de sua vida útil – em geral muito curta – quando descartados de maneira irresponsável e sem as devidas precauções, são nocivos ao meio ambiente. É claro e não foi citado acima, o Governo, seus Órgãos e Serventias, em todas as esferas públicas também são considerados usuários por fazerem uso desses equipamentos no funcionamento da máquina administrativa.

ESTUDO DE CASO

            Foram entrevistados nove (9) servidores públicos de nível escolar superior (alguns já formados e outros incompletos) numa Autarquia Federal do NOME OMITIDO PELO AUTOR, em Brasília, DF; abordando alguns itens que, segundo Rodrigues (2003 apud NATUME e SANT’ANNA, 2011, p. 2) são classificados como resíduos tecnológicos; chegou-se à média de 39,2 unidades desses produtos por participante e, pelas respostas às perguntas feitas, foi constatado que embora a empresa faça recolhimento em suas dependências para terceiros especializados em descarte de material reciclável e mesmo para os impróprios e perigosos como pilhas, baterias, lâmpadas fluorescentes, etc. o consenso é que a Lei nº 12.305/2010 não é conhecida da grande maioria entrevistada e da população em geral: 77,78% dos entrevistados desconhece a Lei e 22,22% ainda joga todo tipo de descarte no lixo comum, sem fazer coleta seletiva. Alguns entrevistados são acumuladores e guardam aquilo que não tem mais serventia ou já saiu da moda, desses temos 22,22%.
Em contra partida aos desavisados da Lei, temos 44,44% dos entrevistados que são sustentavelmente corretos e fazem coleta seletiva de tudo o que é material considerado agressor ao meio ambiente. Outros 44,44% são parcialmente seletivos, ou seja, algumas partes “menos” tóxicas ao meio ambiente são descartadas sem a devida separação. Ambos, os totalmente e os parcialmente seletivos, levam seus produtos em desuso aos locais divulgados pelos fabricantes que mantêm um canal de comunicação com os usuários de seus produtos, seguindo as diretrizes da Lei da Política Nacional de Resíduos Sólidos. Os acumuladores disseram que quando o produto ainda funciona, tentam vendê-lo ou trocá-lo e, se quebrado, mas tendo conserto, doam. Os que não fazem coleta seletiva, ainda jogam qualquer tipo de resíduo, mesmo pilhas, baterias e lâmpadas fluorescentes em lixo comum, sem nenhum tratamento ou cuidado, o que certamente ocasiona acidentes e danos à natureza em algum nível toxicológico.
Conclui-se, com os números levantados, que a Lei precisa de mais divulgação e o povo de mais educação. As empresas envolvidas precisam ser fiscalizadas e homologadas com selos de qualidade ambiental (selo eco-eficiente, tarja verde, lixo zero, etc.) para serem beneficiadas pelas suas atitudes preservacionistas. Isso faz a diferença. Já pude constatar pessoalmente fazendo a escolha pela embalagem que falava ser de material reciclável, entre produtos de mesma faixa de preço e qualidade, porém, ambientalmente correto, optei pela menos agressora (aparentemente). Não é possível conceber pessoas instruídas jogando resíduos altamente tóxicos no meio ambiente, sem o devido tratamento, sabendo (com certeza, pela televisão que assistem e pelas mídias que leem e ouvem) que existem leis, restrições ao descarte, eco-pontos de coleta seletiva, e que isso está em pauta nas reuniões de cúpula dos países desenvolvidos e dos em desenvolvimento (BRICS) às quais o Brasil sempre está presente, desde 1972 (1ª Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente, em Estocolmo, Suécia)  fazendo a sua parte nas ideias e sugestões para manter o planeta habitável e seguro para as futuras gerações. O mundo inteiro precisa ser ambientalmente correto e preservacionista porque os meios naturais para a sobrevivência da espécie são finitos e se encerram dentro do planeta; não se pode cuspir no prato que se come!

REFERÊNCIAS

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6023: Informação e Documentação – Referências – Elaboração. Rio de Janeiro: ABNT, 2002. 24p.

______. NBR 10520: Informação e Documentação – Citações em documentos – Apresentação. Rio de Janeiro: ABNT, 2002. 7p.

BOLIGIAN, Levon. et al. Geografia – Espaço e Vivência: A dinâmica dos espaços da globalização, 8º Ano – 5ª ed. reform. São Paulo: Atual, 2013. cap. 4, p. 41-57.

BRASIL. Constituição (1988), de 5 de outubro de 1988. Palácio do Planalto, Brasília, DF, 5 out. 1988. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm>. Acesso em: 22 fev. 2016.

______. Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998. Palácio do Planalto, Brasília, DF, 12 fev. 1998. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/CCIVIL_03/leis/L9605.htm>. Acesso em: 22 fev. 2016.

______. Lei nº 12.305, de 2 de agosto de 2010. Palácio do Planalto, Brasília, DF, 2 ago. 2010. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2010/lei/l12305.htm>. Acesso em: 22 fev. 2016.

NATUME, R. Y.; SANT’ANNA, F. S. P. Resíduos Eletroeletrônicos: Um desafio para o desenvolvimento sustentável e a nova lei da política nacional de resíduos sólidos. In: 3rd. International Workshop. São Paulo, p. 2, 2011. Cleaner Production Initiatives and Challenges for a Sustainable World; 2011 mai. 18-20; São Paulo.

REZENDE, Sônia Regina Gouvêa. Manual de Formatação: Trabalhos acadêmicos. Anápolis: UEG-CEAR, 2015. 69 p.

domingo, 21 de fevereiro de 2016

Novas Tecnologias

     As novas tecnologias estão em todos os lugares por onde se passa. Quando as pessoas se levantam nos dias de hoje já as estão usando no despertador do aparelho celular. Quando se vai à cozinha e se quer água, lá está ela no dispenser da porta da geladeira. Rapidamente esquenta-se o café em 1 minuto no forno de micro ondas. Liga-se a televisão que tem tela de plasma, de led, ou LCD e se assiste ao jornal da manhã. Assiste-se a vários deles, pois com o controle remoto nas mãos, assim que vem propaganda muda-se de emissora para que não se perca nenhuma informação da manhã e procura-se por outro tele jornal. Quando se vai para o destino, de carro, certamente pode-se ver muita tecnologia no transporte também. Desde a partida do motor, que hoje é feita com cartões codificados onde o computador acoplado ao motor do carro decodifica e interpreta as instruções para verificar todo o funcionamento inicial, até que se chegue ao destino seguindo pelo GPS no painel e ouvindo músicas do pendrive ligado ao USB do equipamento embarcado. Quando se para no estacionamento pode-se manobrar sem receio de bater em algo atrás do veículo, pois os carros têm sensor ou câmera de marcha-ré mostrando se está livre ou não o caminho atrás do veículo. Vamos para o terminal rodoviário pegar a condução, e lá está a roleta eletrônica, que lê os créditos dos cartões do vale transporte magnético. Pode-se dizer que num futuro breve, vai se pagar as passagens com cartões de crédito ou débito, assim como se faz com o pãozinho na padaria que às vezes é pago com o débito menos de 5 reais. O “dinheiro de plástico” já é uma constante na nossa realidade. Até nas pizzas deliveries se paga com ele, no portão de casa. No posto de gasolina não se desce mais do carro, o frentista vem até você para receber a conta do abastecimento. Isso é apenas para ficar na tecnologia informação eletrônica, sem se falar na das comunicações que estão também em todos os cantos.

domingo, 14 de fevereiro de 2016

EAD, um pouco de história

As maiores vantagens do EAD são indiscutivelmente o alcance geográfico e o horário disponível, pois facilita o acesso aos estudos a quem não tem uma escola próxima de casa e tempo para frequentar salas de aula. Hoje ainda é pequeno o rol das graduações superiores na rede pública, não dando muitas oportunidades a que se possa cursar o que realmente se quer (falo no meu caso). Porém, quem busca se qualificar ou somente ter um diploma superior reconhecido por instituição de renome (como é o caso da UEG), o caminho está aberto, as tecnologias estão aí, o Governo está fazendo a parte dele. Na rede privada temos uma grande quantidade de cursos, muitas vezes sem a devida qualidade que se espera de uma Instituição Superior (também já passei por essa experiência antes).

A EAD no Brasil data de 1930 com o Instituto Universal Brasileiro e o Instituto Monitor. O primeiro curso de pedagogia a distância foi em 1995 na UFMT. O Governo Federal começou a sua política pública de investimentos em EAD, criando o Sistema Universidade Aberta do Brasil em 2006, empurrado pela LDB, e com investimentos da ordem de R$ 3,6 bi, para Instituições Públicas de Ensino Superior. Portanto, já se passaram 75 anos dos primeiros cursos. Eu fiz IUB (técnico de rádio e TV) em 1980. De lá para cá tivemos um aumento de 3857% nas matrículas em EAD. Das atuais inscrições 67% são para a primeira graduação. Aqui em Brasília, a única Universidade Federal, portanto Pública, a UnB absorve em seus cursos, 9% apenas dos candidatos inscritos em seu vestibular. É muito pouco para uma macro região de mais de 2 milhões de pessoas e a EAD é um caminho concreto para se formar profissionais, daí a serem bons, vai depender do quanto se dediquem.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

INFORMAÇÃO: O que é. Para que serve. Quanto vale.

            Como já foi muito discutido e visto, a informação é abstrata, invisível, incomensurável. Por este aspecto ela é difícil de ser dominada por um ou outro grupo e quando o é, esse grupo torna-se poderoso e valorizado. Segundo vimos no filme do Sr. Valdez Ludwig, não é por acaso que o homem mais rico do planeta é o Sr. Bill Gates. Ele domina o conceito de informação, ou melhor, ele tem o domínio dos meios de distribuição destas informações, os “softwares”. As vias por onde circulam estas informações, mundo afora.
            Desde os Sumérios, sabemos que o que passa de geração para geração é a informação escrita. Antes deles, nas cavernas, os hominídeos já transmitiam os seus conhecimentos adquiridos de caça e pesca aos seus descendentes ou mesmo outros povos, através de incrustações pictóricas. Nestas formas de passar informação eles mostravam qual era o tipo de animal comum naquela região e também desenhavam a maneira de como atingi-los a fim de capturá-los para se alimentarem. Desenhavam o tipo de arma que era usado, das três mais eficientes de que dispunham, a saber: arco e flechas, lanças ou machadinhas.
Em maior ou menor importância, a informação está impregnada em tudo desde o início do mundo com a explosão do “Big-bang”.  Os átomos de vários gases se misturando em maior ou menor quantidade e se definindo como um planeta, habitável ou não. Não importa de onde vem nem para onde vai, a informação está associada a tudo. Ela é hoje o maior bem que se pode ter para não se cometer erros em relação à nossa preservação como espécie, e também a manutenção da habitabilidade do planeta. Os cientistas buscam incansavelmente através de seus telescópios por informações que possam levar a conhecer outros planetas com as mesmas características de habitabilidade que temos aqui na Terra. Outros procuram por respostas analisando as informações obtidas nas camadas do solo congelado, nas geleiras dos pólos terrestres. Muitas vezes arriscando sua própria vida em busca de tais informações. Quer dizer, se informação não fosse importante então por que se dá tanto destaque a ela? Desde a criação dos símbolos representativos de palavras oralizadas é que vem se iniciando o processo de valorização da informação, sem que se dessem conta de seu valor, até chegar à era da revolução industrial, acontecida há mais ou menos 300 anos.
Voltando novamente ao filme escolhido para este resumo, sabemos pelo que foi dito e mostrado, que a maior inovação tecnológica e a mais simples, como também a mais destrutiva das invenções humanas, de acordo com o professor Jim Al-Khalili foi a palavra escrita. Sem dúvidas ela é o que nos faz conhecer a nossa história, como espécie, ela nos diz o que fizeram antes de nós e através de sua análise podemos dar continuidade ao que é certo e desmerecer o que foi feito errado. Esta informação passou por armazenamento e transmissão, assim como é feito nos dias de hoje, o que vem mudando desde então, é a tecnologia que usamos.
Em conversa com um dos poucos que ainda conseguem ler os símbolos pictográficos dos Sumérios - o Dr. Irving Finkel - aquele professor conta que o grande salto da humanidade em relação à escrita foi que ao invés de fazer o símbolo associado ao objeto, esse foi associando-se ao som deste objeto, ou seja, em vez de expressar uma idéia – que é a verdadeira finalidade da escrita – passou a expressar o som desta imagem, e isto sem dúvida mudou toda a história da informação, e com isto poderia ser transmitida a outros povos no futuro e não ficar restrita à memória de quem tinha esta informação e com isto perdurar por muitas eras.
As fábulas mesopotâmicas escritas na argila em aproximadamente 2100 a.C. são encontradas ainda perfeitas no museu de Londres e são verdadeiras provas de que a informação escrita é para ser passada para outras eras da história da humanidade. Assim como idéias, poesias, rezas, receitas, diálogos, literatura e todos os tipos de manifestações da alma humana, a informação que transformou os sons em símbolos poderia ser alterada facilmente, de uma forma para outra e, com isto, a escrita foi a única tecnologia de informação que as pessoas usaram por séculos.
Vejam quantos idiomas escritos de maneiras diferentes existem, todos usando símbolos correspondentes para expressarem a mesma idéia ou informação. Alfabetos como a cirílico, o grego, o hindu, o japonês, o árabe, o coreano, o malaio, o chinês, apenas para citar alguns modos diferentes de os povos trocarem informações entre si, através da simbologia do som, que é diferente em cada região.
Tempos depois, com a efervescência dos comércios multinacionais e durante a revolução industrial na Europa, particularmente em Lyon – França – surgiu a idéia do tecelão Jacquard, que inventou uma maneira de aumentar a velocidade das máquinas de tear, até então a maior engenhosidade da humanidade, o que viria a revelar uma verdade fundamental sobre a informação, ela estava sendo traduzida de imagem para cartão perfurado e desta para o desenho no tecido terminado. O que deu origem à distinção entre hardware e software, pois o tear é para tecer, mas não diz qual tipo de tecido ou qual figura vai estampar, esta informação está codificada no cartão perfurado, aponta o Dr. Doron Swade, que diz ainda, que isso trouxe grandes avanços ao que estaria por vir. Estes cartões perfurados representando símbolos abstratos para armazenamento e processamento provou ser uma idéia muito poderosa, porém a maneira de se enviar a informação era tão rápida quanto enviar uma encomenda, via navio, cavalo, correndo, etc. conta Tom Standage. Até que surgiu a eletricidade e a informação passou trafegar com uma velocidade bem maior que até então.
O engenho que ganhou forças à época e ainda hoje é usado na rádio navegação aérea, ferroviária e marítima foi o inventado por Samuel Morse, o telégrafo Elétrico, que com seu código tão simples os usuários podiam soletrar letras do alfabeto inglês de maneira rápida e eficiente, usando pulsos elétricos curtos ou longos conforme iam-se formando as palavras. Era a maneira mais rápida já descoberta para se transferir as informações que se queriam e mais uma vez, dar o grande salto na descoberta de uma nova e revolucionária tecnologia.
Primeiro foi a memória humana, em segundo, a argila; em terceiro, o papel; em quarto, o cartão perfurado e agora a corrente elétrica. Isso fez com que o mundo se emaranhasse em redes de fios por linhas telegráficas e, muito rapidamente, criou-se as bases da era da informação que conhecemos hoje. Mas a habilidade humana em manipular, processar e transmitir essas informações não parou por aí.
Descobriu-se logo que a informação era algo além da idéia humana e que usando termodinâmica podiam-se separar as moléculas mais rápidas das mais lentas, num mesmo invólucro cheio de ar, segundo a descoberta “diabólica” de Maxwell, apenas usando a informação do movimento das moléculas. Na época, colocar em prática a idéia de que tudo poderia ser feito apenas usando a informação do movimento das moléculas, parecia muito além do tempo e, mover coisas, criar ordem sem usar nenhuma energia era contrário e muito além das idéias que se tinham no século que se findava, o XIX. Naquela época, sem querer, Maxwell já antevia o quão abrangente seria a informação. Dessa sua descoberta, mesmo sem as respostas que ele procurava, foi lançado o princípio fundamental do que seria um computador, ou pra que serviria esse computador.
Alan Turing, aproximadamente um século depois da descoberta de Maxwell, concebeu involuntariamente o que seria um computador com capacidade de criptografar a informação, diferente do que realmente era o “computador” naquela época: “era uma pessoa com lápis e papel na mão fazendo cálculos matemáticos mais ou menos complexos”. Esses “super humanos” eram contratados por grandes empresas para darem conta de seus crescentes lucros mediante o crescimento dos mercados. Mas não duraram muito, pois Turing achou a resposta que precisava para entender o que seria essencial na computação: “os dados e as instruções do que fazer com eles”. Como as máquinas entenderiam as instruções de somar, multiplicar, dividir e subtrair? Como seria essa interação entre homem e máquina? Como seria essa linguagem? Foi dessa pesquisa que Turing criou o código binário – binary digit, bit – e dele, fez todo tipo de instruções possíveis para que a máquina obedecesse a essas instruções e realizasse todo o tipo de cálculos. Foi possível também, a partir dos “bits” fazer com que o computador servisse como telefone, máquina fotográfica, filmadora, editor de textos, gravador e reprodutor de sons, e muito mais que se quisesse. E aí está uma das idéias mais marcantes do século XX, a de que a informação pode ser transformada em poder.
Então, como medir essa informação? A resposta está em Shannon, outro brilhante gênio do século XX, que trabalhava na “Bell Telephone Network” e descobriu a maneira de quantificar as mensagens que trafegavam pelos cabos daquela empresa, a maior do setor de telecomunicações do mundo. Convertendo-se qualquer mensagem em seu correspondente binário, que pode ser uma longa ou curta seqüência de “uns e zeros” tem-se o verdadeiro valor da informação. Tudo pode ser medido em “bit”, som, vídeo, texto.
Então podemos usar a informação para substituir ou imaginar praticamente tudo o que há no universo, desde que obedecidas as leis da física, porque mesmo a informação sendo abstrata ela tem que obedecer as leis do universo. Nada é infinito enquanto não se souber os limites do universo e tudo o que está contido no universo, fatalmente terá um fim, ainda que longínquo. Sabemos que as memórias dos computadores estão evoluindo a cada dia e ficando cada vez mais baratas. Sua tecnologia vai evoluindo e seu custo/bit vai diminuindo. Ainda hoje avançamos em algumas pesquisas no ramo da eletricidade e da informação usando os conceitos demonstrados lá atrás, por Maxwell, quando estudava o vapor para transmitir informação. Hoje se usa o laser e partículas de poeira para atestar a relação entre a informação e a energia, com mais precisão, mas com os mesmos conceitos. Mas o que fica demonstrado nestes estudos, é que a abstração e a invisibilidade da informação, não lhe dão características de serem incomensuráveis ou invisíveis, ou infinitas como dissemos no início do resumo. Ela é tão palpável e mensurável como qualquer outra forma física que existia antes. Vale lembrar a tábula de argila, os papiros, os livros, os atuais DVDs, ROMs, EPROMs, etc. E é isso que a faz valiosa, o fato de podermos salvá-la e armazená-la da maneira como quisermos na quantidade que desejarmos e para o uso que quisermos dar a ela. A informação substitui tudo, desde dinheiro, laser, trabalho, espaço físico, barreiras idiomáticas, distâncias, inclusive pessoas em postos de trabalho. Começamos dizendo que informação era invisível e incomensurável e terminamos concluindo que ela é bem visível, está em todos os lugares, tem valor associado, é quantificável, porém, está muito longe ainda o fim de tantos questionamentos, os quais fizemos, ao longo do texto.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS – ABNT. NBR 6023 – Informação e Documentação – Referências – Elaboração. Rio de Janeiro: ABNT, 2002. 24p.

______. NBR 10520 – Informação e Documentação - Citações em documentos – Apresentação. Rio de Janeiro: ABNT, 2002. 7p.

BRITISH BROADCASTING CORPORATION. BBC. A história da informação – documentário. Londres, 2012.

LUDWING, Waldez. Informação como bem econômico. Globonews, 2007.

PRIBERAM. Dicionário da Língua Portuguesa On-line <http://www.priberam.pt/dlpo/>

SANT’ANNA, Solimara Ravani de. Informática e sociedade. Vitória: Ifes, 2010.

sábado, 6 de fevereiro de 2016

Interação humano-computador (IHC)


Um dos principais desafios a se alcançar é a ergonomia para a acessibilidade de usuários com deficiência. Essa ergonomia, quer seja, tanto do “software” quanto do “hardware” tem que levar em conta os seguintes pontos de projeto, de acordo com Padovani, 1998 e Souza, 2011 ( apud FERREIRA, 2011, p. 44-45.): focar o usuário em questão; levar em consideração o “design” para interfaces mais amigáveis; testar a usabilidade do sistema antes de ver o projeto terminado considerando também o impacto que as novas tecnologias possam trazer ao projeto; incluir no projeto pessoal especialista em IHC; melhorar o tempo de resposta ao usuário; oferecer conforto e facilidade de uso ao usuário; tirar o maior proveito das novas tecnologias para agilizar, conectar e compartilhar todo tipo de informação de que o usuário faça uso; dentre outras necessidades sociais e práticas que facilitem o uso dos sistemas envolvidos na comunicação informacional.
Se considerarmos alguns itens do dia a dia comparado aos mesmos utensílios de 10, 15 ou 20 anos atrás, sim! Os telefones à manivela, depois a disco, depois à teclas, recentemente à toque na tela e, mais recentemente, ao comando de voz, isso deixa claro que a interface evoluiu junto com o “hardware” e mudou drasticamente a vida das pessoas que vivem conectadas ou necessitam dos aparelhos para falarem com seus chefes ou subordinados; fecharem negócios, ou simplesmente baterem papo com amigos. O importante é estar conectado e compartilhando tudo, acabou o individual para dar lugar à globalização definitivamente. A “internet” e suas aplicações é exemplo dessa globalização e das mudanças comportamentais que vemos hoje, no trabalho, em casa, nas escolas e no lazer.

Um dos principais fatores é o perfil do usuário. Cada um tem um nível de conhecimento e trata a evolução tecnológica diferentemente do outro. Por isso, foi necessário que se projetassem, novas e práticas tecnologias de acesso e usabilidade, para facilitar o acesso e o uso das novas “ferramentas” tecnológicas. O lado psicológico também influenciou e com isso, houve a inserção de disciplinas psíco-sociais na área de TI, mais especificamente na área de criação de interfaces gráficas.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

EVOLUÇÃO DAS INTERFACES

Quando o assunto é evolução de interfaces, gosto muito de citar o exemplo do telefone (década de 70), onde não existia o “software”, apenas o uso do eletromagnetismo no início, e da eletrônica, conforme ia evoluindo. O mesmo era grande, pesado, preto, de resina, com um disco numérico de 0 a 9 e um limitador do giro do disco em formato de meia-lua; tinha o descanso do aparelho (phone – onde as extremidades eram microfone e altofalante), com uma mola que, ao depositá-lo nesse descanso (gancho – herança de modelos anteriores), ele desligava a chamada. Detalhe: só fazia e recebia chamadas de voz. Claro que a sua interface evoluiu. Vieram os modelos coloridos, de plástico, com teclas numéricas que se pressionavam (tipo calculadora) e eram mais leves; serviam para os diversos tipos de usuários (jovens das décadas 70-80), com diversos formatos (bichos, carros, etc.) para atender os gostos da moda e a decoração (ambiente) que se pretendia; mas também só faziam e recebiam chamadas de voz. Aí começaram aparecer os tipos eletrônicos com display, onde se podia ver as horas, a data, o número discado e o que estava chamando, etc. Algumas poucas funções de armazenamento de agendas e números de acesso e chamada rápidos. Uma maravilha da evolução tecnológica! Depois vieram os “sem-fios”, eletrônicos, com alcance reduzido à princípio mas logo foram melhorando e aumentando o alcance e a durabilidade das baterias; com o tempo foram diminuindo de tamanho e ganhando credibilidade nas residências e escritórios. Com o avanço da informática pessoal e as melhorias das comunicações de modo geral, acrescentaram-se às interfaces, aparelhos de fac-símile (fax) e secretária com viva-voz. Mudou a tecnologia e melhorou a interface, o aparelho de telefone não servia mais, somente para chamadas de voz; poderia ser usado em multi conferências e reuniões (viva-voz), gravar e transmitir recados pré gravados na secretária eletrônica; enviar e receber documentos, como também fazer cópias de alguns documentos que se pretendiam ler (fax – os mesmos não serviam para guarda por longo período – como é ainda hoje). Finalmente chegamos aos aparelhos celulares, aqueles que se carregavam em uma bolsa separada, a bateria; de tão grande que era. Depois vieram os dobráveis, do tipo “flip-flop”; e a moda de “sacar” e abrir o “canivete” pegou. Daí em diante, foi só evolução: tanto no “hardware” e a sua interface, quanto no “software” e as suas aplicabilidades. Múltiplas funções, múltiplos usos para múltiplos usuários. Mudou o tamanho, as funções, a velocidade do acesso à rede mundial (www), as maneiras de se comunicarem, as interfaces gráficas, as telas, a capacidade de memória e armazenamento, enfim...evoluíram juntas as interfaces e as interações.


Imagem de telefone. Disponível em: <http://es.bomnegocio.com/norte-do-espirito-santo/servicos/conserto-telefones-antigos-21925135>. Acesso em: 07 set. 2014.
Imagem de telefones personalizados. Disponível em: <http://glamgroupies.blogspot.com.br/2012/08/telefones-personalizados.html>. Acesso em: 07 set. 2014.

Imagem de telefone celular. Disponível em: <http://ejsape.blogspot.com.br/2011/09/evolucao-dos-celulares.html>. Acesso em: 07 set. 2014.