segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

INFORMAÇÃO: O que é. Para que serve. Quanto vale.

            Como já foi muito discutido e visto, a informação é abstrata, invisível, incomensurável. Por este aspecto ela é difícil de ser dominada por um ou outro grupo e quando o é, esse grupo torna-se poderoso e valorizado. Segundo vimos no filme do Sr. Valdez Ludwig, não é por acaso que o homem mais rico do planeta é o Sr. Bill Gates. Ele domina o conceito de informação, ou melhor, ele tem o domínio dos meios de distribuição destas informações, os “softwares”. As vias por onde circulam estas informações, mundo afora.
            Desde os Sumérios, sabemos que o que passa de geração para geração é a informação escrita. Antes deles, nas cavernas, os hominídeos já transmitiam os seus conhecimentos adquiridos de caça e pesca aos seus descendentes ou mesmo outros povos, através de incrustações pictóricas. Nestas formas de passar informação eles mostravam qual era o tipo de animal comum naquela região e também desenhavam a maneira de como atingi-los a fim de capturá-los para se alimentarem. Desenhavam o tipo de arma que era usado, das três mais eficientes de que dispunham, a saber: arco e flechas, lanças ou machadinhas.
Em maior ou menor importância, a informação está impregnada em tudo desde o início do mundo com a explosão do “Big-bang”.  Os átomos de vários gases se misturando em maior ou menor quantidade e se definindo como um planeta, habitável ou não. Não importa de onde vem nem para onde vai, a informação está associada a tudo. Ela é hoje o maior bem que se pode ter para não se cometer erros em relação à nossa preservação como espécie, e também a manutenção da habitabilidade do planeta. Os cientistas buscam incansavelmente através de seus telescópios por informações que possam levar a conhecer outros planetas com as mesmas características de habitabilidade que temos aqui na Terra. Outros procuram por respostas analisando as informações obtidas nas camadas do solo congelado, nas geleiras dos pólos terrestres. Muitas vezes arriscando sua própria vida em busca de tais informações. Quer dizer, se informação não fosse importante então por que se dá tanto destaque a ela? Desde a criação dos símbolos representativos de palavras oralizadas é que vem se iniciando o processo de valorização da informação, sem que se dessem conta de seu valor, até chegar à era da revolução industrial, acontecida há mais ou menos 300 anos.
Voltando novamente ao filme escolhido para este resumo, sabemos pelo que foi dito e mostrado, que a maior inovação tecnológica e a mais simples, como também a mais destrutiva das invenções humanas, de acordo com o professor Jim Al-Khalili foi a palavra escrita. Sem dúvidas ela é o que nos faz conhecer a nossa história, como espécie, ela nos diz o que fizeram antes de nós e através de sua análise podemos dar continuidade ao que é certo e desmerecer o que foi feito errado. Esta informação passou por armazenamento e transmissão, assim como é feito nos dias de hoje, o que vem mudando desde então, é a tecnologia que usamos.
Em conversa com um dos poucos que ainda conseguem ler os símbolos pictográficos dos Sumérios - o Dr. Irving Finkel - aquele professor conta que o grande salto da humanidade em relação à escrita foi que ao invés de fazer o símbolo associado ao objeto, esse foi associando-se ao som deste objeto, ou seja, em vez de expressar uma idéia – que é a verdadeira finalidade da escrita – passou a expressar o som desta imagem, e isto sem dúvida mudou toda a história da informação, e com isto poderia ser transmitida a outros povos no futuro e não ficar restrita à memória de quem tinha esta informação e com isto perdurar por muitas eras.
As fábulas mesopotâmicas escritas na argila em aproximadamente 2100 a.C. são encontradas ainda perfeitas no museu de Londres e são verdadeiras provas de que a informação escrita é para ser passada para outras eras da história da humanidade. Assim como idéias, poesias, rezas, receitas, diálogos, literatura e todos os tipos de manifestações da alma humana, a informação que transformou os sons em símbolos poderia ser alterada facilmente, de uma forma para outra e, com isto, a escrita foi a única tecnologia de informação que as pessoas usaram por séculos.
Vejam quantos idiomas escritos de maneiras diferentes existem, todos usando símbolos correspondentes para expressarem a mesma idéia ou informação. Alfabetos como a cirílico, o grego, o hindu, o japonês, o árabe, o coreano, o malaio, o chinês, apenas para citar alguns modos diferentes de os povos trocarem informações entre si, através da simbologia do som, que é diferente em cada região.
Tempos depois, com a efervescência dos comércios multinacionais e durante a revolução industrial na Europa, particularmente em Lyon – França – surgiu a idéia do tecelão Jacquard, que inventou uma maneira de aumentar a velocidade das máquinas de tear, até então a maior engenhosidade da humanidade, o que viria a revelar uma verdade fundamental sobre a informação, ela estava sendo traduzida de imagem para cartão perfurado e desta para o desenho no tecido terminado. O que deu origem à distinção entre hardware e software, pois o tear é para tecer, mas não diz qual tipo de tecido ou qual figura vai estampar, esta informação está codificada no cartão perfurado, aponta o Dr. Doron Swade, que diz ainda, que isso trouxe grandes avanços ao que estaria por vir. Estes cartões perfurados representando símbolos abstratos para armazenamento e processamento provou ser uma idéia muito poderosa, porém a maneira de se enviar a informação era tão rápida quanto enviar uma encomenda, via navio, cavalo, correndo, etc. conta Tom Standage. Até que surgiu a eletricidade e a informação passou trafegar com uma velocidade bem maior que até então.
O engenho que ganhou forças à época e ainda hoje é usado na rádio navegação aérea, ferroviária e marítima foi o inventado por Samuel Morse, o telégrafo Elétrico, que com seu código tão simples os usuários podiam soletrar letras do alfabeto inglês de maneira rápida e eficiente, usando pulsos elétricos curtos ou longos conforme iam-se formando as palavras. Era a maneira mais rápida já descoberta para se transferir as informações que se queriam e mais uma vez, dar o grande salto na descoberta de uma nova e revolucionária tecnologia.
Primeiro foi a memória humana, em segundo, a argila; em terceiro, o papel; em quarto, o cartão perfurado e agora a corrente elétrica. Isso fez com que o mundo se emaranhasse em redes de fios por linhas telegráficas e, muito rapidamente, criou-se as bases da era da informação que conhecemos hoje. Mas a habilidade humana em manipular, processar e transmitir essas informações não parou por aí.
Descobriu-se logo que a informação era algo além da idéia humana e que usando termodinâmica podiam-se separar as moléculas mais rápidas das mais lentas, num mesmo invólucro cheio de ar, segundo a descoberta “diabólica” de Maxwell, apenas usando a informação do movimento das moléculas. Na época, colocar em prática a idéia de que tudo poderia ser feito apenas usando a informação do movimento das moléculas, parecia muito além do tempo e, mover coisas, criar ordem sem usar nenhuma energia era contrário e muito além das idéias que se tinham no século que se findava, o XIX. Naquela época, sem querer, Maxwell já antevia o quão abrangente seria a informação. Dessa sua descoberta, mesmo sem as respostas que ele procurava, foi lançado o princípio fundamental do que seria um computador, ou pra que serviria esse computador.
Alan Turing, aproximadamente um século depois da descoberta de Maxwell, concebeu involuntariamente o que seria um computador com capacidade de criptografar a informação, diferente do que realmente era o “computador” naquela época: “era uma pessoa com lápis e papel na mão fazendo cálculos matemáticos mais ou menos complexos”. Esses “super humanos” eram contratados por grandes empresas para darem conta de seus crescentes lucros mediante o crescimento dos mercados. Mas não duraram muito, pois Turing achou a resposta que precisava para entender o que seria essencial na computação: “os dados e as instruções do que fazer com eles”. Como as máquinas entenderiam as instruções de somar, multiplicar, dividir e subtrair? Como seria essa interação entre homem e máquina? Como seria essa linguagem? Foi dessa pesquisa que Turing criou o código binário – binary digit, bit – e dele, fez todo tipo de instruções possíveis para que a máquina obedecesse a essas instruções e realizasse todo o tipo de cálculos. Foi possível também, a partir dos “bits” fazer com que o computador servisse como telefone, máquina fotográfica, filmadora, editor de textos, gravador e reprodutor de sons, e muito mais que se quisesse. E aí está uma das idéias mais marcantes do século XX, a de que a informação pode ser transformada em poder.
Então, como medir essa informação? A resposta está em Shannon, outro brilhante gênio do século XX, que trabalhava na “Bell Telephone Network” e descobriu a maneira de quantificar as mensagens que trafegavam pelos cabos daquela empresa, a maior do setor de telecomunicações do mundo. Convertendo-se qualquer mensagem em seu correspondente binário, que pode ser uma longa ou curta seqüência de “uns e zeros” tem-se o verdadeiro valor da informação. Tudo pode ser medido em “bit”, som, vídeo, texto.
Então podemos usar a informação para substituir ou imaginar praticamente tudo o que há no universo, desde que obedecidas as leis da física, porque mesmo a informação sendo abstrata ela tem que obedecer as leis do universo. Nada é infinito enquanto não se souber os limites do universo e tudo o que está contido no universo, fatalmente terá um fim, ainda que longínquo. Sabemos que as memórias dos computadores estão evoluindo a cada dia e ficando cada vez mais baratas. Sua tecnologia vai evoluindo e seu custo/bit vai diminuindo. Ainda hoje avançamos em algumas pesquisas no ramo da eletricidade e da informação usando os conceitos demonstrados lá atrás, por Maxwell, quando estudava o vapor para transmitir informação. Hoje se usa o laser e partículas de poeira para atestar a relação entre a informação e a energia, com mais precisão, mas com os mesmos conceitos. Mas o que fica demonstrado nestes estudos, é que a abstração e a invisibilidade da informação, não lhe dão características de serem incomensuráveis ou invisíveis, ou infinitas como dissemos no início do resumo. Ela é tão palpável e mensurável como qualquer outra forma física que existia antes. Vale lembrar a tábula de argila, os papiros, os livros, os atuais DVDs, ROMs, EPROMs, etc. E é isso que a faz valiosa, o fato de podermos salvá-la e armazená-la da maneira como quisermos na quantidade que desejarmos e para o uso que quisermos dar a ela. A informação substitui tudo, desde dinheiro, laser, trabalho, espaço físico, barreiras idiomáticas, distâncias, inclusive pessoas em postos de trabalho. Começamos dizendo que informação era invisível e incomensurável e terminamos concluindo que ela é bem visível, está em todos os lugares, tem valor associado, é quantificável, porém, está muito longe ainda o fim de tantos questionamentos, os quais fizemos, ao longo do texto.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS – ABNT. NBR 6023 – Informação e Documentação – Referências – Elaboração. Rio de Janeiro: ABNT, 2002. 24p.

______. NBR 10520 – Informação e Documentação - Citações em documentos – Apresentação. Rio de Janeiro: ABNT, 2002. 7p.

BRITISH BROADCASTING CORPORATION. BBC. A história da informação – documentário. Londres, 2012.

LUDWING, Waldez. Informação como bem econômico. Globonews, 2007.

PRIBERAM. Dicionário da Língua Portuguesa On-line <http://www.priberam.pt/dlpo/>

SANT’ANNA, Solimara Ravani de. Informática e sociedade. Vitória: Ifes, 2010.

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