domingo, 24 de janeiro de 2016

“SOCIEDADE E INFORMAÇÃO: desafios para a profissão em um mundo sem fronteiras”

          Passados 500 anos desde os grandes descobrimentos, é possível se ver uma era de novos avanços tecnológicos. Avanços jamais vistos desde que a humanidade conheceu o fogo e a roda, duas das mais importantes descobertas tecnológicas, as quais alavancaram o desenvolvimento da humanidade e a trouxeram até os dias de hoje. Depois dessas duas descobertas tivemos como avanço a escrita, o tear, a prensa, os computadores e a internet. Cada uma dessas invenções ou descobertas marcaram de certa maneira a sociedade como um todo, fazendo-a ser conhecida pela sua mais marcante invenção ou descoberta, como por exemplo: a Idade da Pedra, do Bronze, do Ferro, a Escrita, a Revolução Industrial e, mais recentemente a Globalização – a Era do Conhecimento. Essa globalização que pegou de mau jeito algumas civilizações e as manteve na contra mão do desenvolvimento, como é o caso do Continente Africano, onde sua população tida como inferior passou a ser negociada como mercadoria nos grandes e desenvolvidos centros comerciais da época. Outros exemplos foram os massacres aos habitantes das Américas, os Incas, os Maias, os Astecas e as várias etnias indígenas da América do Sul e do Norte. Todos esses, ou foram dizimados ou escravizados pelos “descobridores”, espanhóis e portugueses principalmente, e ingleses em menor escala. Isso para citar apenas eventos ocorridos após os Grandes Descobrimentos – Américas e Oceania; senão teríamos que citar os bárbaros “vikings”, os romanos, os alemães, os gregos, os egípcios, etc.
        Mas a globalização que trataremos aqui será outra. Mais atual, mais humanizada, menos carregada de barbáries. Hoje não existem mais as fronteiras físicas, os agentes dessa transformação não se veem, não se tocam, não se conhecem. Vivem distantes uns dos outros, porém conectados. Ligados pela “máquina” revolucionária desta Era – a internet. Por ela se faz de tudo, compras, vendas, trocas, empréstimos e todo o tipo de escambo que se possa fazer, na área comercial. Na área financeira, se faz aplicações em ações, se consulta saldos bancários, se transferem valores – qualquer quantia – de e para onde se queira. Basta estar conectado. Na aprendizagem, no conhecimento, na instrução, se pode escolher qual curso interessa e se matricular. Na área profissional, enviam-se e analisam-se currículos, cadastram-se em entrevistas e as fazem via web, prestam-se assistência remota em pré e pós venda, help desk, monitoria, etc. Tudo isso é reflexo da globalização “ideal”, a que permite o acesso de todos e lhes dá todos os direitos que deveriam ter enquanto sociedades, pessoas ou grupos; os que querem dividir alguma coisa, compartilhar e disseminar. Disseminar o quê? Pode ser conhecimento, laser, amizade, informação, valores, direitos; qualquer coisa, desde que democrática e socialmente distribuídos. Acessível a todos sem distinção e, pela vontade compartilhada, “de que todos os habitantes do planeta, independentemente de país, cultura, religião ou qualquer outra identidade pessoal, possuem o direito de compartilhar o mesmo conjunto de bens fundamentais.” (SORJ, 2003, p. 12-13).
          Os atores sociais destas mudanças conflituosas, o Estado, as empresas, as ONG’s, responsáveis diretos pela “exclusão digital” através do acúmulo de seu poder dentro das mídias massificantes tentam simplificar as diferenças sociais com formulações injustas e simplistas, porém de grande impacto entre os setores menos favorecidos. Os grupos sociais tendem a se mobilizar quando o assunto é injustiça social e essas novas tecnologias ajudam bem, nesta área, “elas possuem o potencial de facilitar a vida dos setores menos favorecidos e de serem mobilizadas para o serviço de estratégias sociais e políticas públicas distributivas.” (SORJ, 2003, p. 13). Cada um usando a tecnologia que se adapte às suas necessidades, de maneira criativa, gerando impactos imprevisíveis e novas formas de fragmentação social. Esses impactos são causas do capitalismo contemporâneo, onde a liberdade e a iniciativa individual de cada agente regem o mercado onde se transacionam, livremente, as mesmas necessidades; independente de intervenção ou não, na distribuição. Como se percebe essa fragmentação social? Através do perfil social de cada grupo, onde políticas distributivas e preservacionistas são implantadas para tentar equalizar o direito de todos ao acesso dos bens e serviços básicos de consumo individual e coletivo. São contrários ao princípio econômico da oferta e da procura, onde diz que cada indivíduo deve poder comprar aquilo de que necessita para satisfazer suas necessidades. O Estado, por sua vez, regulamenta o mercado de bens coletivos para que esses bens cheguem ao maior número de indivíduos que deles necessitem, criando esse antagonismo social e, independente de regulação entre Estado, mercado e consumidor.
Fica a pergunta: que bens são esses? Esses bens dependem do debate entre as partes, principalmente entre os membros da sociedade, que decidem o que for necessário ao uso coletivo no momento histórico em que vivem. Esses bens muitas vezes interferem na qualidade de vida de outras sociedades inter fronteiras, são os chamados bens comuns globais. São os cuidados ambientais, a preservação das fontes hídricas, a proteção de espécies ameaçadas, o controle de pragas e epidemias, etc. Muitas vezes alguns pagam mais para que outros possam gozar o mesmo benefício e, para tanto, se valem de algum subsídio governamental. Isso tudo gera o desequilíbrio social, onde uns podem e pagam mais e outros, que podem menos e pagam menos, usam o mesmo serviço. Outros fragmentos socialmente conhecidos são as chamadas bolsas: bolsa família, bolsa escola, bolsa alimentação, bolsa reclusão, etc. Tudo somado, vemos também a diferente distribuição de serviços públicos em diferentes setores da sociedade. Bairros menos protegidos do Estado, como serviços de polícia, escolas particulares de alto nível, serviços sociais de qualidade, postos de saúde ou hospitais de alto nível, serviços de distribuição de energia elétrica em situação precária, redes de água e esgoto, linhas telefônicas fixas e cabos ópticos para internet e T.V. a cabo, etc.
Vive-se hoje no mesmo mundo capitalista de antes, o que mudou foram os bens de consumo, hoje mais agregados de tecnologias que antes. O consumismo também aumentou mas a regra é a mesma: quem pode mais, compra mais e as pessoas são conhecidas pelo que elas têm e não pelo que elas são; também como sempre foi desde a revolução industrial. Nem tudo é igual. Nem tudo tem o mesmo custo e o mesmo valor de distribuição. Depende do quanto se arrecada em cada bairro ou setor da sociedade. Isso certamente gera um círculo que “ora é virtuoso e ora é vicioso”, como dito por Sorj (2003, p. 33). Enquanto a igualdade não chega, vive-se com as mazelas sociais criadas pela tecnologia, desde as eras mais remotas. A nova tecnologia da comunicação, que está a cada dia mais se aprimorando e quebrando paradigmas, já estava sendo aplicada desde os anos 60, durante a guerra fria. Hoje ela é o maior canal de comunicação, aceleração e disseminação de conhecimento e informação rápida e confiável, para quem os procura, a um custo cada vez mais baixo e a velocidades cada vez mais rápidas. Possibilita também, “[...] através de protocolos próprios de comunicação, a exemplo do TCP/IP, a comunicação inter máquinas, onde os computadores se conectam e trocam informações através do ciberespaço [...]” (SORJ, 2003, p. 33).
A internet fez e fará com que as sociedades sejam uma só, internacionalizada e globalizada, sem fronteiras, sem individualismos, sem partidos, sem pátrias. Hoje o mundo é de todos e as relações são temporárias, enquanto interessarem às partes. O fluxo de informação faz com que as pessoas se conectem sem se conhecer e faz com que desapareça a barreira espaço temporal. Hoje a realidade é virtual, eletrônica, digital; não se tem mais aquela visão romântica dos livros impressos para lermos na solidão dos nossos pensamentos. Hoje tem o hipertexto, com suas infinitas interligações, tem a inteligência artificial que tende a igualar o homem à máquina e, tudo isso junto, nos leva à socialização do conhecimento adquirido e facilita a disseminação do conhecimento para a produtividade social. Fica a pergunta: será que veremos os cyborgs tomarem decisões por nós? Por enquanto ficaremos apenas no campo da educação à distância, onde se quisermos, poderemos aprender de tudo, inclusive para o lado sombrio das leis gerais de convivência social. Para tanto temos os temíveis hackers que fazem de tudo para provarem que são bons em disseminar pânico virótico em larga escala e, mesmo assim serem considerados gênios. Os valores estão mudados, mesmo, mas nem tudo é do mal. Tem as redes sociais e os chats de relacionamentos, onde pessoas podem se conhecer para se relacionar intimamente, ou rever familiares e amigos. O correio virou email, o telefone virou skype e com isso as relações se estreitaram e as sociedades se aproximaram, sem o gasto exorbitante de matéria prima orgânica, para o benefício do planeta, sem a impressão de milhares de folhas, cuja origem na maioria das vezes é a celulose vegetal. A internet revolucionou a informação e fez surgir inúmeros sítios especializados de pesquisa com ferramentas complexas de busca para selecionar o que interessa; gerou empregos, fez fortunas e fez surgir os embates sobre direitos autorais, sobre comércio eletrônico, cujo espaço físico inexiste e, com isso, aumenta a demissão de funcionários ociosos. Fez com que pudéssemos trabalhar em casa, a qualquer hora; a estudar, vender, comprar, fazer todo o controle financeiro de nossas contas correntes, com agilidade, segurança e ganho de tempo. A administração pública ficou mais transparente com o uso da e-governança e a e-cultura fez os muros das bibliotecas caírem, como fez outros tantos paradigmas ruírem. Somos funcionários 24 horas por dia, sete dias por semana e não ganhamos mais por isso; então abriu-se uma lacuna nas leis trabalhistas. Leis que deverão se adaptar à realidade para que a e-saúde possa trabalhar dentro da normalidade, pois tudo isso gera doenças de cunho vicioso de difícil correção. Será que tem mais para aonde evoluir ou chegamos no final da trilha do desenvolvimento tecnológico? 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS – ABNT. NBR 6023 – Informação e Documentação – Referências – Elaboração. Rio de Janeiro: ABNT, 2002. 24p.

______. NBR 10520 – Informação e Documentação - Citações em documentos – Apresentação. Rio de Janeiro: ABNT, 2002. 7p.

Filme: Fronteiras do Pensamento: Diálogos com Zygmunt Bauman. Londres, 2011. Disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=in4u3zWwxOM. Acesso em: 5 abr. 2014.

JACOBSEN, Alessandra de Linhares. Sistema de informação. Florianópolis: Departamento de Ciências da Administração /UFSC, 2007. 182p.

PRIBERAM. Dicionário da Língua Portuguesa On-line <http://www.priberam.pt/dlpo/>

SANT’ANNA, Solimara Ravani de. Informática e sociedade. Vitória: Ifes, 2010.

SORJ, Bernardo. brasil@povo.com - a luta contra a desigualdade na sociedade da informação. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2003.

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